Percorro
um circuito de blogues que só acrescento ou minguo por razões maiores. Leio-os mais
ou menos diária, quase sempre deixando rasto. Não sei se sou amiga dos
bloguers, mas suponho bem que não interferem no meu conceito de amizade. Se um
deles desiste da blogosfera, aguardo uns dias, por vezes semanas, e deleto-o.
Mas também existem os que não me aturam as bocas, aqueles para quem sou
indigesta, os que são muito para o meu pouco, ou que, simplesmente, querem a
casa arrumada a seu exclusivo gosto e sem palavras minhas de permeio. Esses, não sei como, proíbem-me a entrada e
dedicam-se aos seus convidados, apresentam-se em circuito fechado; uma espécie
de maçonaria bloguística e misteriosa. E, por mais que os goste ou tenha
gostado, vou desgostando e deleto-os sem mas nem mas. Desaparecem.
A
blogosfera é um dos mundos camaleónicos à disposição, verdade flutuante e palavrosa,
muito cheia de qualificativos. Por todo o lado proliferam coisas lindas e
sublimes que são apenas normalidade; adorações que a gente olha e se dedicam a
coisa vulgar; beleza poética que é um sem valor. E, no meio desta amálgama,
acontece poesia e substância; desabafos que são essência humana na sua recôndita
pureza; crítica política e social com pés e cabeça, argumentos bem esgalhados;
peças raras que se mostram e divulgam; gente que sabe da poda e se dá ao
trabalho de dizer e mostrar como e o que pensa. Podemos pensar desigual, ser
opostos, desdizer, acrescentar. O que não podemos é desmerecer do trabalho que
têm na mostra. Digam-me que é um ego que procura satisfação. E depois, e se
assim for, por acaso diminui a qualidade?
Há alguém que faça obra, seja isso o que seja, sem procurar satisfação e
reconhecimento? É que desconheço essa qualidade de gente.
Portanto,
num momento em que pouco se lê por ser actividade lenta, haver quem escreva –
outra actividade que não corre a maratona - sem o óbice de provento, é
meritório. Que nos enfeitem as horas sem que nos conheçam não me parece apenas afirmação
do ego. E, sendo, que saiba a gente retirar a parte conveniente.
A
todos eles: Bem Hajam