sábado, 9 de dezembro de 2023

Embirrâncias

 

Sei muito bem porque me lembra hoje aquele colega do liceu que afirmava convicto, “eu, se fosse professor, logo no primeiro dia apresentava-me à turma e dizia, como nesta hora sou eu que mando, podem sair, dou  feriado”. Segui-o no completo. Logo à primeira, dei feriado ao calendário de natal. Suponho que os artigos dentro das caixas estejam piursos; e eu ralada.

Hoje, provavelmente, acordei meia adoecida, só pode. É que amanheci decidida a aprender a trabalhar com a nova máquina de costura. Nova, é como quem diz, comprei-a – é minha mesmo minha - há uns bons quatro ou cinco anos, se não mais. Digamos que, durante este tempo, lhe dediquei respeito integral: nem da caixa saiu. Podia ter defeito, estar avariada? Podia, a garantia estava finadíssima. Se eu pensava nisso? Nada. Sou do mais optimista no que respeita a maquinaria, creio a pés juntos e jurados que máquinas novas em toda a altura estão aptas ao trabalho. Tal qual. Portanto, gastei um bom par de horas a decifrar peças e estranhezas do objecto, olhos ora no manual, ora na máquina própria ela. Somando mais meia hora para aprender a encher a bobine com a precisão devida (meia hora, muita linha e imprecação), e outra meia para acertar com o enfiar correcto da linha, acrescentando 15 minutos para encher panos velhos de ziguezague e ponto corrido, perfiz a bonita conta de três horas e mais um tanto. Arre, que é burra mesmo (razão tinha o prof de matemática). Perco eu a manhã desvendando segredos de uma máquina, para depois coser o descosido em menos de dez minutos. Está visto que a “queda” para a costura me comeu os ânimos natalícios e nem um olhar lancei às ditas caixas. Estão aqui bem perto? Ora, quero lá saber.  

 

4 comentários:

  1. Sou filha de alfaiate e "levo jeito para as costurices"... mas enveredei por outro "pedalar"! Hoje conjugo mais o verbo "cuidar e apreciar"! Bj Bea

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  2. Hummm....a costura nunca me convenceu. Mas é coisa que me faz falta por vezes. Não me ponho a fazer saias ou vestidos. Mas lençóis, guardanapos, subir e descer bainhas, apertar e alargar...dá jeito fazer em casa. E sem a máquina gasto mais tempo (horas fundas, como dizia Eugénio).
    Parece-me que, como a Gracinha, cuidar é coisa que fiz desde muito nova. Apreciar é de sempre nas pequenas coisas (sou um potencial Alberto Caeiro com a excepção de não versejar). Não posso é viajar tanto como a Gracinha:) e nem do modo que gosto. Mas vou fazendo algumas incursões.
    Um abraço, Gracinha

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  3. E eu nem um botão sei colocar.
    Por isso, Bea, está melhor que eu :D

    Cláudia - eutambemtenhoumblog

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  4. Na minha vida de adulta tive duas máquinas de costura. Com a primeira, que só andava para a frente e para trás, fiz muita coisa mas depois tinha de xuliar à mão. Uma seca! Então uns anos depois troquei por uma com meia duzia de pontos e com o muito desejado ziguezague que substituía o xuliar.
    Recordo bem a alegria que senti quando a usei pela primeira vez em que, deliciada, andei a fazer num pano variados ziguezagues para cá e para lá. Ao ler o seu post lembrei-me desse momento que me ficou gravado.
    Da próxima vez que a usar Bea, já será mais fácil.
    O pior começa a ser mesmo o enfiar a agulha....para mim e pelos vistos para si também!🙄

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