quinta-feira, 5 de maio de 2022

Sombra Chinesa

Talvez o encanto do mundo se manifeste também nos desencontros e as histórias, mais que por sincronias, evolvam através de perplexidades e involuntários mal entendidos entre os homens. Por vezes, na viagem de emissor a receptor, a mensagem  sofre alteração, distorce, inflecte em direcção inesperada.  Assim sucedia entre as duas mulheres. Que os desejos de uns não são os de outros. Uma esmifrava-se em cuidados e psicologias baratas de vendedora à conquista, e,   mal satisfazia o intento, esquecia tudo.  A outra apegava-se a esse mundo de lisonja que agradavelmente a sobressaltava e lhe afagava a vaidade em idade de carrapito que não usava. À filha do Pelinhos interessava apenas a cliente, os atributos de Francisca morriam-lhe após o acto de mirá-los. Em ímpeto de boa vendedora, enaltecia-lhe pormenores do corpo, coisa de propositada intimidade entre mulheres, caía bem à cliente e a si trazia o que importava: dividendos. Reconhecer e mostrar os pontos fortes de cada uma, pessoalizava a relação comercial, quase a iludia. E tornava mais receptiva a vaidade das possíveis compradoras, fixava-as no produto. Inconsciente do seu poder, a filha do Pelinhos ia além da intenção. Porque, em Francisca, os elogios faziam mossa. Antes, os espelhos devolviam-lhe imagem de hábito que aceitava sem se deter e não lhe ocorria melhorar. Agora, dava por si verificando as afirmações da outra. Observava-se pela primeira vez; era, em simultâneo, observador e observado.  Mas confundia-se na admiração do que sentia e antes julgava apenas consequência do jogo marital, coisa de acontecer entre homem e mulher, como se em cada quadrado sua dama sem mistura; e agora, só desordem. Ajuizava para si que tal sentir era impróprio, doentio e reprovável. Não que notasse na vendedora algum avanço ou olhar menos rotineiro. Bem o catalogava, era isenta mirada de avaliação. Porém, confuso e delator, subia-lhe um rubor insensato que a afogueava. E havia o estúpido desejo de que os dedos que lhe afloravam a pele fizessem caminho. Recriminava-se mentalmente. Disfarçava cores e suor. Julgava-se anormal e prometia de si para si não provar as novidades que, qual Ali-Babá explorando a caverna, o Chico exibia frente ao seu nariz, o vagar de uma mão aberta a fazer vulto por dentro do tecido, em sugestão insidiosa. Cria que, sem passar a porta, a filha do Pelinhos não causaria dano e decidia firme, compro colchetes, elástico, pano de lençol. Não contava com a instigante perseverança da vendedora que fazia contas a mais uns trocados, nem com o desejo que lhe rebentava em urgências  de ouvi-la e vê-la, esperando sempre na ajuda de veste e despe. Portanto, sucumbia varrendo propósitos e havia sempre uma vez seguinte.


segunda-feira, 25 de abril de 2022

Salvé

 

Eu que não esperei Abril ajoelho e, em humildade, o bendigo. Sou-lhe grata até à morte. Eu que julgava os chefes da nação excelentes pessoas, que escrevi ao doutor Oliveira Salazar crente que ele me respondia (tinha caprichado na letra, nem sequer um borrão e nada de palavras tortas nas linhas) e que fiquei abstracta e parva quando, já a manhã a meio, me informaram “houve uma revolução”. Eu que logo voei a 1640, à defenestração de Miguel de Vasconcelos e à duquesa de Mântua fugindo para Espanha por montes e vales – a pé, claro – incomodada com tanto véu e manto a prenderem-se em tudo e que só tornavam a corrida mais lenta, os portugueses de lança em riste lá ao fundo, todos aço e botifarras, e ela irritada e temerosa, ai que ainda me espetam com aquilo, mãos ensarilhadas na atrapalhação das saias cheias de gravetos e picos e tal. Eu que nunca lera um jornal e cria no mundo que me apresentavam, sem vislumbre de vontade para transformá-lo, pensei de imediato que havia mudança no governo (então, dizia presidentes). Apesar dos cochichos dos mais velhos, olha se a PIDE sabe, cuidado olha a PIDE, não havia em mim qualquer lampejo, a PIDE era nome de alguma coisa, mas ninguém me elucidava e eu tinha mais em que pensar. Imaginava que o mundo era todo assim, uma desigualdade gritante; ninguém tinha culpa ou mérito pelo berço onde nascia. Calhava e tinha de levar-se até final.

O 25 de Abril aconteceu nos meus dezanove anos. Recuperava de doença grave. Emergia de um desgosto maior. Ainda assim, comoviam-me as pessoas que a TV mostrava, abraçadas, contentes, dançando juntas pelas ruas do país. Não entendia os novos termos, o amor ao MFA nascido tão de repente (o amor e o MFA), os vês de vitória que não fazia ideia a quem se dirigiam. Mas houve uma coisa que vi claramente: o povo estava outro. Contente. Mais leve. Parecia renascido. As pessoas, por mais diferenças que tivessem entre si, irmanavam-se no mundo da rua. Foi pouco a pouco, ao sentir e observar os seus efeitos, que, por comparação, entendi o sem preço da liberdade. O seu valor e peso. Foi com os anos que aprendi a democracia que Abril trouxe. Como então cantava Aldina Duarte, uma rapariga que sabia destas coisas, “Somos livres, somos livres, não voltaremos atrás”.

Já dizia o presidente Sampaio: 25 de Abril, sempre. Que assim seja.

 

 

domingo, 24 de abril de 2022

Requiem

 

Morreste. Assim, como quem nos deixa sem querer. Estavas dormindo e o teu coração esgotou a corda. E dizem as almas compassivas num suspiro, “foi melhor assim, não sentiu nada”. As almas compassivas querem ignorar o que sofreste antes; querem que o “Deus o tenha à sua guarda”, seja uma espécie de fim da história com algum colorido. Põem uma pedra sobre as horas difíceis a sós contigo, junto às tuas meninas de quatro patas. Descontam o padecer por hospitais, a tua dificuldade em respirar, andar e estar fora de tua casa e dos teus pertences; longe da Lili. A Lili que conheci já velhinha e doente, mas te sobreviveu. Ironias da vida.  Teimaste e vieste inda vê-la, alquebrado e tão outro de quem foste. Aproveitaste uma boleia de trazer e levar, sabe Deus o tamanho do teu esforço. A Lili cega a lamber-te as mãos, desdobrada em ganidos de saudade e alegria. E tu emudecido numa tristeza que se enchia de lágrimas, tu a olhá-la de um véu líquido, seguro de ser o último encontro.

Como eu gostei de ter-te encontrado. Não se apaga o bem que tu e elas me fizeram. Bem hajam.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

A Quem Pertenço

 

         Num dia ventoso, já não sei qual - todos são subjectiva e erradamente mais ou menos os mesmos -, nesse dia, enquanto esperava uma consulta e passeava na rua em risco de me voar a cabeleira, julgo eu que semelhante ao penteado de Eduardo Mãos de Tesoura, li de cabo a rabo, “Manhã”, um livro de Adília Lopes. Aprecio a escrita da senhora. Mesmo na ventania – sofrendo qualquer tipo de clima -, prezo-a muito. Agrada-me o abrupto sem preconceitos e a singeleza ingénua que lhe brota em prosa e poesia. E nem sei que texto prefiro no livro, gosto dele na totalidade. Contudo, lembro-me de um escrito sobre o avô Raul. Não por ser melhor ou diferente dos outros, mas porque também tive – como ela – um avô excepcional.

         O meu avô Manuel também nasceu no século XIX, mas não era médico; logo, não tinha consultório na Avenida. Suponho que hoje seria chamado ajudante de pedreiro e sempre o conheci a trabalhar para a mesma Fundação. A bem dizer, não morou em rua alguma, nem as casas que habitou lhe pertenciam. O meu avô Manuel viveu em lugares que os mapas não assinalam e onde haver uma rua com nome era luxo impossível. Mas também foi conhecido da vizinhança. Por ser um homem bom e amigo de silêncio, temente a Deus e trabalhador. O meu avô Manuel avassalou-me de ternura – fui a primeira neta – e foi o único avô que conheci, não precisei gostar mais dele que de outro. Foi o meu modelo e a pessoa masculina de que mais gostei desde que me lembro de ser gente; nunca lhe ouvi uma asneira, nem sequer das pequeninas e corriqueiras. O meu avô fazia sapatos, que é como quem diz, tamancos, o calçado dos pobres à época. Lembro-me dele a desenhar o pé das pessoas sobre um papelão para criar o tamanho próprio a cada uma. E também recordo que colocava tachas nos tamancos. Eu admirava as tachas e pedia-lhe que mas pusesse nos sapatos, mas ele apenas sorria, motivo de um ror de perguntas. Gostava de vê-lo a esculpir o calçado e pairava-lhe ao redor em estorvo de tagarela perguntadeira, raspas de madeira a caírem-me por cabelos e roupa. O meu avô não cobrava pelos tamancos que fazia ao fim de semana que, então, era só o domingo. O que mais admirava nele era a forma como segurava o lápis atrás da orelha. Pedia-lho e tentava copiar, mas o lápis caía enjeitando a minha orelha. Então, enfiava-o no ouvido e exultava, avô, olhe, olhe. E ele estendia a mão e tirava-mo rindo baixo, não faças isso que é perigoso. E eu amuava brevemente. Logo ele me punha um dedo franja abaixo e a deslizar pelo nariz, dá lá o martelo ao avô. O meu maior desejo era que o meu avô Manuel me fizesse uns tamancos. Mas, se lhos pedia, pegava-me no colo, descalçava-me um sapato e dizia a exibir-me a extremidade, os teus pés são muito pequeninos, o avô não aprendeu a fazer tamancos pequeninos, as meninas do teu tamanho não podem usar tamancos. E eu ficava milagrosamente à espera que os meus pés crescessem e com uma inveja danada da gente graúda. Esta conversa repetiu-se tanto que uma vez o meu avô disse, anda cá, e deitou um papelão bem debaixo do damasqueiro para ficarmos na sombra. Era verão e o sol ofuscava. E o meu avô, põe o pé aqui em cima. E logo eu, avô o meu pé já cresceu, não é? E ele, não, Bea, o avô faz-te só uma palmilha para usares nos sapatos. E ainda sinto o lápis rente à pele a fazer-me cócegas, o riso baixo e terno do meu avô, está quietinha, a insistência nos lugares onde sabia que o lápis me torcia de cócegas e o resvalar propositado para o entre os dedos que me fazia esquecer o molde e retirar o pé do lugar. Por vezes, minha avó passava; julgo que sorria para dentro, mas não se desmanchava, tão maluca é a neta como o avô, o juízo é igual. E nós dois rindo, ternamente unidos. Ficou instituído o ritual: de cada vez que me apeteciam tamancos, o meu avô tirava o lápis da orelha, buscava o papelão e riscava o meu pé no papel. Quando o retirava, podiam ler-se as paragens de riso dos dois. Eu usava as palmilhas com fervor de religião, achando-lhe benefício. Duravam até meu pai as descobrir e, em riso escarninho, as deitar fora, eu choramingando e ele, o teu avô pensa que tenho dinheiro para gastar em sapatos, assim ainda te ficam mais apertados, pois se já tos cortei à frente. Se contava a meu avô, ele não comentava e procurando um papelão, anda cá ao avô, põe lá aqui o pé. E começava a nossa brincadeira.

         Desculpa, Adília, mas não tens um avô melhor que o meu. Vá, transijo, será do mesmo teor. Olha, o teu avô pintava. O meu gostava de tocar acordéon e aprendeu a sós consigo, sabe Deus como. Mas não tinha acordéon. Coisas.

domingo, 10 de abril de 2022

MULHERES

 

Não as vês, que estão de rastos,
não se aguentam em pé,
são elas que sustentam a cidade,
qualquer cidade.

Com o casamento e a maternidade,
com a viuvez, mais os golpes,
elas carregam com este mundo,
com este sábado à noite onde riem um pouco
frente a um copo de branco e algumas azeitonas.

Carregam com maridos infumáveis,
com noivos intratáveis,
com pais em coma,
com filhos suspensos.

Fumam mais do que os homens,
têm cancro de pulmão, adoecem,
e têm de estar lindas.

Põem cremes, a tirania dos cremes.
perfumes e meias e roupa fina e penteados,
e maquilhagem e sapatos que são um suplício.

Mas envelhecem.
Não deixem, as mulheres, nada para trás de si,
filhos, quando muito, filhos
que depois não se lembram das mães.

Ninguém se lembra das mulheres,
a verdade é que nada sabemos delas,
vejo-as na rua às vezes, nas lojas, sorrindo.

Esperam os filhos à porta do colégio,
trabalham em todo o lado,
donas de casa encerradas em cozinhas que dão para pátios interiores.
Sorriem as mulheres, como se a vida fosse boa.
Nalguns países lapidam-nas,
noutros violam-nas,
aqui no nosso maltratam-nas até à morte.
Trabalham fora de casa, e trabalham em casa,
trabalham nas peixarias ou nas fábricas,
ou padarias, ou bares, ou nos bingos.

Não sabemos o que é que pensam
quando morrem às mãos dos homens.

Manuel Vilas – tradução do autor do blogue Rua das Pretas


Nota: porque gosto do autor Manuel Vilas e ele diz, sobretudo em poesia, o que não consigo. E porque admiro o blogue de onde recolhi o poema. Parece-me bastante.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Ao Rés da Cal

 

                 O grupo confluiu em ampla mesa redonda e os interesses giraram noutro sentido. Sentado na outra ponta, pareceu-lhe que agia aperreado, como se a família, de súbito e sem motivo plausível, se tivesse metamorfoseado em dois apêndices incómodos. Extinguira-se o olhar de enlevo, aquele orgulho na apresentação, “a minha mulher; a minha filha”. Mas, raciocinou, tudo que os ligava era a recordação de umas tabletes secretas, doadas na calada da noite e que nenhum lembrara de viva voz. E, na medida das metamorfoses que o tempo traz, ambos tinham mudado, eram dois estranhos unidos por uma recordação. Seriam infundadas suspeitas, mera suposição. Ponderou a probabilidade de voltarem a cruzar-se e era diminuta.

Quando se é jovem, um jantar é inábil términus da noite. Para muitos, é apenas início. E quando deu por si, entrosava num grupo de partida para lugar ignoto. Entretanto, a mulher dele insistia no regresso a casa, a petiza ensonada. Despediram-se com o proverbial tão bom voltar a ver-te e foi bom conhecer a família. Os noctívagos acenaram ao carro que se afastava e rumaram ao desconhecido que era afinal lugar de marisco e cerveja. Uma sensaboria de que ela não necessitava. Mas, quando se preparavam para sair, ele plantou-se no espanto do grupo. Sozinho. Ao invés do combinado, fora apenas deixá-las em casa.

Sem elas, foi calamitoso. Em esbanjamento e teimosia sem nome, pagou acepipes e bebidas que a ninguém apeteciam e jaziam intocados. Bebeu com o antigo mutismo e concentração. E, mais tarde, passeando à beira mar, deu livre curso às tropelias próprias de qualquer garoto adolescente que quer fazer-se notado: trocou as cadeiras das esplanadas; carregou com a sua força de touro as palmeiras que guardavam a entrada de hotéis adormecidos, rasgou cartazes publicitários. Emudecido, o grupo assistia ao frémito de loucura. Havia no ar um silêncio de surpresa constrangida que ninguém arriscava quebrar. De seguida, ele cumprimentou brevemente, boa noite. E sumiu para os lados do automóvel, a figura a fazer-se pequena nas luzes da cidade.

Talvez a noite o transformasse e a vida inteira ele encarnasse Hyde e Jekill, lutando em alternância num equilíbrio de forças.  Mas a realidade lembrada nunca é idêntica à realidade vivida. O olhar e a lembrança que nele se colhe, constituem uma diferença específica dos homens e entre eles. E a memória não desiste de ir  fazendo o seu trabalho: despe a realidade e torna-a mais crua ou enfeita e doura; pesca o que lhe interessa e mais lhe diz; e arquiva. Existe em cada homem uma lente peculiar para entender o mundo. Que também o entendimento sofre mutações, o tempo toma o que entende e a mente vai-se despojando de porquês e perplexidades.  Será a causa da memória lho apresentar em diáfana simplicidade.  Carregado de infância e noite,  regressa-lhe embrulhado em certa ternura com sabor de chocolate, aparição que descola da sombra de uma casa que já não há.

FIM

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Ao Rés da Cal

 

 A vida é como os sinais de pontuação. Certifica, acentua, muda sentidos, confirma-os. Ou apenas baralha e dá, acontece. O reencontro deu-se através de inesperado convite. Ignorantes um do outro. Ao prazer de revê-lo – dessa vez cumprimentaram-se – juntou com agrado conhecer-lhe mulher e filha. A idade acentuara o gigantismo antigo e fizera dele uma espécie de árabe alto e todo músculo, de acentuada pilosidade; figura maciça, ausente de gordura e delicadezas, que extravasava da roupa; em flagrante contraste com a beleza clara da mulher, uma loira alta de boa pele. Nela, ressaltava a harmonia fluida do todo, a compreensão aveludada dos olhos e os longos e anelados cabelos, carneirinhos submissos descendo ao colorido da blusa. Longe da banalidade, lembrava as jovens de Botticelli. A filha, sem traço paterno, era uma miniatura de porcelana que replicava a mãe. Ternura sem palavras, o olhar dele passeava de uma a outra.

         Mas a vida não é um quadro. A vida é movimento, faz e desfaz sem pejo. E os humanos são os seres mais voláteis e mutáveis da criação. Não se assemelham à moldura natural ainda que os acidentes e a sequência das estações possam alterá-la. Nem sequer qualquer conjunto de objectos, mesmo que mudados de lugar, sofre tão grande alteração. Era uma festa circunstancial onde um grupo de infância de que ambos faziam parte, teve oportunidade de se rever. Adultos. Alguns surgiram com par, outros sem laços anunciados. Só ele, o mais velho, já com uma filha. E a garota foi a coqueluche da mesa.  

Às conversas iniciais de entrosamento, acrescentaram lembranças de escola e brincadeira que uns tinham presentes e outros ali avivaram. E aconteceu a refeição. No barulho de talheres e conversas a meia voz, o cuidado materno era notório e essa atenção isolava as duas dos restantes comensais. Ao invés, o pai   parecia auto excluir-se; se a garota – sentada entre os dois -  o solicitava, tinha de fazê-lo repetidamente e a puxar-lhe a manga da camisa, por vezes requerendo  ajuda da mãe para captar a atenção.