Talvez
o encanto do mundo se manifeste também nos desencontros e as histórias, mais
que por sincronias, evolvam através de perplexidades e involuntários mal
entendidos entre os homens. Por vezes, na viagem de emissor a receptor, a
mensagem sofre alteração, distorce,
inflecte em direcção inesperada. Assim
sucedia entre as duas mulheres. Que os desejos de uns não são os de outros. Uma
esmifrava-se em cuidados e psicologias baratas de vendedora à conquista, e, mal satisfazia o intento, esquecia tudo. A outra apegava-se a esse mundo de lisonja
que agradavelmente a sobressaltava e lhe afagava a vaidade em idade de
carrapito que não usava. À filha do Pelinhos interessava apenas a cliente, os
atributos de Francisca morriam-lhe após o acto de mirá-los. Em ímpeto de boa
vendedora, enaltecia-lhe pormenores do corpo, coisa de propositada intimidade
entre mulheres, caía bem à cliente e a si trazia o que importava:
dividendos. Reconhecer e mostrar os pontos fortes de cada uma, pessoalizava a
relação comercial, quase a iludia. E tornava mais receptiva a vaidade das
possíveis compradoras, fixava-as no produto. Inconsciente do seu poder, a filha
do Pelinhos ia além da intenção. Porque, em Francisca, os elogios faziam mossa. Antes,
os espelhos devolviam-lhe imagem de hábito que aceitava sem se deter e não lhe
ocorria melhorar. Agora, dava por si verificando as afirmações da outra. Observava-se
pela primeira vez; era, em simultâneo, observador e observado. Mas confundia-se na admiração do que sentia e
antes julgava apenas consequência do jogo marital, coisa de acontecer entre
homem e mulher, como se em cada quadrado sua dama sem mistura; e agora, só
desordem. Ajuizava para si que tal sentir era impróprio, doentio e reprovável.
Não que notasse na vendedora algum avanço ou olhar menos rotineiro. Bem o catalogava,
era isenta mirada de avaliação. Porém, confuso e delator, subia-lhe um rubor
insensato que a afogueava. E havia o estúpido desejo de que os dedos que lhe
afloravam a pele fizessem caminho. Recriminava-se mentalmente. Disfarçava cores
e suor. Julgava-se anormal e prometia de si para si não provar as novidades que,
qual Ali-Babá explorando a caverna, o Chico exibia frente ao seu nariz, o vagar
de uma mão aberta a fazer vulto por dentro do tecido, em sugestão insidiosa.
Cria que, sem passar a porta, a filha do Pelinhos não causaria dano e decidia firme, compro colchetes, elástico, pano de lençol. Não contava com a instigante
perseverança da vendedora que fazia contas a mais uns trocados, nem com o desejo
que lhe rebentava em urgências de
ouvi-la e vê-la, esperando sempre na ajuda de veste e despe. Portanto, sucumbia varrendo propósitos e havia sempre uma vez seguinte.
quinta-feira, 5 de maio de 2022
Sombra Chinesa
segunda-feira, 25 de abril de 2022
Salvé
Eu
que não esperei Abril ajoelho e, em humildade, o bendigo. Sou-lhe grata até à
morte. Eu que julgava os chefes da nação excelentes pessoas, que escrevi ao
doutor Oliveira Salazar crente que ele me respondia (tinha caprichado na letra,
nem sequer um borrão e nada de palavras tortas nas linhas) e que fiquei
abstracta e parva quando, já a manhã a meio, me informaram “houve uma revolução”.
Eu que logo voei a 1640, à defenestração de Miguel de Vasconcelos e à duquesa
de Mântua fugindo para Espanha por montes e vales – a pé, claro – incomodada com
tanto véu e manto a prenderem-se em tudo e que só tornavam a corrida mais
lenta, os portugueses de lança em riste lá ao fundo, todos aço e botifarras, e
ela irritada e temerosa, ai que ainda me espetam com aquilo, mãos ensarilhadas na
atrapalhação das saias cheias de gravetos e picos e tal. Eu que nunca lera um
jornal e cria no mundo que me apresentavam, sem vislumbre de vontade para transformá-lo, pensei de imediato que havia mudança no governo (então, dizia
presidentes). Apesar dos cochichos dos mais velhos, olha se a PIDE sabe,
cuidado olha a PIDE, não havia em mim qualquer lampejo, a PIDE era nome de alguma
coisa, mas ninguém me elucidava e eu tinha mais em que pensar. Imaginava que o
mundo era todo assim, uma desigualdade gritante; ninguém tinha culpa ou mérito pelo
berço onde nascia. Calhava e tinha de levar-se até final.
O
25 de Abril aconteceu nos meus dezanove anos. Recuperava de doença grave. Emergia
de um desgosto maior. Ainda assim, comoviam-me as pessoas que a TV mostrava,
abraçadas, contentes, dançando juntas pelas ruas do país. Não entendia os novos
termos, o amor ao MFA nascido tão de repente (o amor e o MFA), os vês de
vitória que não fazia ideia a quem se dirigiam. Mas houve uma coisa que vi
claramente: o povo estava outro. Contente. Mais leve. Parecia renascido. As
pessoas, por mais diferenças que tivessem entre si, irmanavam-se no mundo da
rua. Foi pouco a pouco, ao sentir e observar os seus efeitos, que, por
comparação, entendi o sem preço da liberdade. O seu valor e peso. Foi com os
anos que aprendi a democracia que Abril trouxe. Como então cantava Aldina
Duarte, uma rapariga que sabia destas coisas, “Somos livres, somos livres, não
voltaremos atrás”.
Já
dizia o presidente Sampaio: 25 de Abril, sempre. Que assim seja.
domingo, 24 de abril de 2022
Requiem
Morreste.
Assim, como quem nos deixa sem querer. Estavas dormindo e o teu coração esgotou
a corda. E dizem as almas compassivas num suspiro, “foi melhor assim, não
sentiu nada”. As almas compassivas querem ignorar o que sofreste antes; querem
que o “Deus o tenha à sua guarda”, seja uma espécie de fim da história com
algum colorido. Põem uma pedra sobre as horas difíceis a sós contigo, junto às tuas
meninas de quatro patas. Descontam o padecer por hospitais, a tua dificuldade
em respirar, andar e estar fora de tua casa e dos teus pertences; longe da
Lili. A Lili que conheci já velhinha e doente, mas te sobreviveu. Ironias da
vida. Teimaste e vieste inda vê-la,
alquebrado e tão outro de quem foste. Aproveitaste uma boleia de trazer e levar,
sabe Deus o tamanho do teu esforço. A Lili cega a lamber-te as mãos, desdobrada
em ganidos de saudade e alegria. E tu emudecido numa tristeza que se enchia de
lágrimas, tu a olhá-la de um véu líquido, seguro de ser o último encontro.
Como
eu gostei de ter-te encontrado. Não se apaga o bem que tu e elas me fizeram. Bem
hajam.
quinta-feira, 21 de abril de 2022
A Quem Pertenço
Num dia ventoso, já não sei qual - todos são subjectiva e
erradamente mais ou menos os mesmos -, nesse dia, enquanto esperava uma consulta
e passeava na rua em risco de me voar a cabeleira, julgo eu que semelhante ao
penteado de Eduardo Mãos de Tesoura, li de cabo a rabo, “Manhã”, um livro de Adília
Lopes. Aprecio a escrita da senhora. Mesmo na ventania – sofrendo qualquer tipo de
clima -, prezo-a muito. Agrada-me o abrupto sem preconceitos e a singeleza
ingénua que lhe brota em prosa e poesia. E nem sei que texto prefiro no livro,
gosto dele na totalidade. Contudo, lembro-me de um escrito sobre o avô Raul. Não
por ser melhor ou diferente dos outros, mas porque também tive – como ela – um avô
excepcional.
O meu avô Manuel também nasceu no século XIX, mas não era médico; logo, não tinha consultório na Avenida. Suponho que hoje seria chamado ajudante de pedreiro e sempre o conheci a trabalhar para a mesma Fundação. A bem dizer, não morou em rua alguma, nem as casas que habitou lhe pertenciam. O meu avô Manuel viveu em lugares que os mapas não assinalam e onde haver uma rua com nome era luxo impossível. Mas também foi conhecido da vizinhança. Por ser um homem bom e amigo de silêncio, temente a Deus e trabalhador. O meu avô Manuel avassalou-me de ternura – fui a primeira neta – e foi o único avô que conheci, não precisei gostar mais dele que de outro. Foi o meu modelo e a pessoa masculina de que mais gostei desde que me lembro de ser gente; nunca lhe ouvi uma asneira, nem sequer das pequeninas e corriqueiras. O meu avô fazia sapatos, que é como quem diz, tamancos, o calçado dos pobres à época. Lembro-me dele a desenhar o pé das pessoas sobre um papelão para criar o tamanho próprio a cada uma. E também recordo que colocava tachas nos tamancos. Eu admirava as tachas e pedia-lhe que mas pusesse nos sapatos, mas ele apenas sorria, motivo de um ror de perguntas. Gostava de vê-lo a esculpir o calçado e pairava-lhe ao redor em estorvo de tagarela perguntadeira, raspas de madeira a caírem-me por cabelos e roupa. O meu avô não cobrava pelos tamancos que fazia ao fim de semana que, então, era só o domingo. O que mais admirava nele era a forma como segurava o lápis atrás da orelha. Pedia-lho e tentava copiar, mas o lápis caía enjeitando a minha orelha. Então, enfiava-o no ouvido e exultava, avô, olhe, olhe. E ele estendia a mão e tirava-mo rindo baixo, não faças isso que é perigoso. E eu amuava brevemente. Logo ele me punha um dedo franja abaixo e a deslizar pelo nariz, dá lá o martelo ao avô. O meu maior desejo era que o meu avô Manuel me fizesse uns tamancos. Mas, se lhos pedia, pegava-me no colo, descalçava-me um sapato e dizia a exibir-me a extremidade, os teus pés são muito pequeninos, o avô não aprendeu a fazer tamancos pequeninos, as meninas do teu tamanho não podem usar tamancos. E eu ficava milagrosamente à espera que os meus pés crescessem e com uma inveja danada da gente graúda. Esta conversa repetiu-se tanto que uma vez o meu avô disse, anda cá, e deitou um papelão bem debaixo do damasqueiro para ficarmos na sombra. Era verão e o sol ofuscava. E o meu avô, põe o pé aqui em cima. E logo eu, avô o meu pé já cresceu, não é? E ele, não, Bea, o avô faz-te só uma palmilha para usares nos sapatos. E ainda sinto o lápis rente à pele a fazer-me cócegas, o riso baixo e terno do meu avô, está quietinha, a insistência nos lugares onde sabia que o lápis me torcia de cócegas e o resvalar propositado para o entre os dedos que me fazia esquecer o molde e retirar o pé do lugar. Por vezes, minha avó passava; julgo que sorria para dentro, mas não se desmanchava, tão maluca é a neta como o avô, o juízo é igual. E nós dois rindo, ternamente unidos. Ficou instituído o ritual: de cada vez que me apeteciam tamancos, o meu avô tirava o lápis da orelha, buscava o papelão e riscava o meu pé no papel. Quando o retirava, podiam ler-se as paragens de riso dos dois. Eu usava as palmilhas com fervor de religião, achando-lhe benefício. Duravam até meu pai as descobrir e, em riso escarninho, as deitar fora, eu choramingando e ele, o teu avô pensa que tenho dinheiro para gastar em sapatos, assim ainda te ficam mais apertados, pois se já tos cortei à frente. Se contava a meu avô, ele não comentava e procurando um papelão, anda cá ao avô, põe lá aqui o pé. E começava a nossa brincadeira.
Desculpa, Adília, mas não tens um avô melhor que o meu. Vá,
transijo, será do mesmo teor. Olha, o teu avô pintava. O meu gostava de tocar acordéon
e aprendeu a sós consigo, sabe Deus como. Mas não tinha acordéon. Coisas.
domingo, 10 de abril de 2022
MULHERES
Não as vês, que estão
de rastos,
não se aguentam em pé,
são elas que sustentam a cidade,
qualquer cidade.
Com o casamento e a
maternidade,
com a viuvez, mais os golpes,
elas carregam com este mundo,
com este sábado à noite onde riem um pouco
frente a um copo de branco e algumas azeitonas.
Carregam com maridos
infumáveis,
com noivos intratáveis,
com pais em coma,
com filhos suspensos.
Fumam mais do que os
homens,
têm cancro de pulmão, adoecem,
e têm de estar lindas.
Põem cremes, a tirania
dos cremes.
perfumes e meias e roupa fina e penteados,
e maquilhagem e sapatos que são um suplício.
Mas envelhecem.
Não deixem, as mulheres, nada para trás de si,
filhos, quando muito, filhos
que depois não se lembram das mães.
Ninguém se lembra das
mulheres,
a verdade é que nada sabemos delas,
vejo-as na rua às vezes, nas lojas, sorrindo.
Esperam os filhos à
porta do colégio,
trabalham em todo o lado,
donas de casa encerradas em cozinhas que dão para pátios interiores.
Sorriem as mulheres, como se a vida fosse boa.
Nalguns países lapidam-nas,
noutros violam-nas,
aqui no nosso maltratam-nas até à morte.
Trabalham fora de casa, e trabalham em casa,
trabalham nas peixarias ou nas fábricas,
ou padarias, ou bares, ou nos bingos.
Não sabemos o que é
que pensam
quando morrem às mãos dos homens.
Manuel Vilas – tradução do autor do blogue Rua das Pretas
Nota: porque gosto do autor Manuel Vilas e ele diz, sobretudo em poesia, o que não consigo. E porque admiro o blogue de onde recolhi o poema. Parece-me bastante.
terça-feira, 5 de abril de 2022
Ao Rés da Cal
O grupo confluiu em ampla mesa redonda e os
interesses giraram noutro sentido. Sentado na outra ponta, pareceu-lhe que
agia aperreado, como se a família, de súbito e sem motivo plausível, se tivesse
metamorfoseado em dois apêndices incómodos. Extinguira-se o olhar de enlevo, aquele
orgulho na apresentação, “a minha mulher; a minha filha”. Mas, raciocinou, tudo
que os ligava era a recordação de umas tabletes secretas, doadas na calada da
noite e que nenhum lembrara de viva voz. E, na medida das metamorfoses que o
tempo traz, ambos tinham mudado, eram dois estranhos unidos por uma recordação.
Seriam infundadas suspeitas, mera suposição. Ponderou a probabilidade de voltarem
a cruzar-se e era diminuta.
Quando
se é jovem, um jantar é inábil términus da noite. Para muitos, é apenas
início. E quando deu por si, entrosava num grupo de partida para lugar ignoto. Entretanto,
a mulher dele insistia no regresso a casa, a petiza ensonada. Despediram-se com
o proverbial tão bom voltar a ver-te e foi bom conhecer a família. Os
noctívagos acenaram ao carro que se afastava e rumaram ao desconhecido que era
afinal lugar de marisco e cerveja. Uma sensaboria de que ela não necessitava. Mas,
quando se preparavam para sair, ele plantou-se no espanto do grupo. Sozinho. Ao
invés do combinado, fora apenas deixá-las em casa.
Sem
elas, foi calamitoso. Em esbanjamento e teimosia sem nome, pagou acepipes e
bebidas que a ninguém apeteciam e jaziam intocados. Bebeu com o antigo mutismo
e concentração. E, mais tarde, passeando à beira mar, deu livre curso às
tropelias próprias de qualquer garoto adolescente que quer fazer-se notado: trocou
as cadeiras das esplanadas; carregou com a sua força de touro as palmeiras que guardavam
a entrada de hotéis adormecidos, rasgou cartazes publicitários. Emudecido, o grupo assistia
ao frémito de loucura. Havia no ar um silêncio de surpresa constrangida que
ninguém arriscava quebrar. De seguida, ele cumprimentou brevemente, boa noite. E
sumiu para os lados do automóvel, a figura a fazer-se pequena nas luzes da
cidade.
Talvez
a noite o transformasse e a vida inteira ele encarnasse Hyde e Jekill, lutando em
alternância num equilíbrio de forças. Mas
a realidade lembrada nunca é idêntica à realidade vivida. O olhar e a lembrança
que nele se colhe, constituem uma diferença específica dos homens e entre eles.
E a memória não desiste de ir fazendo o
seu trabalho: despe a realidade e torna-a mais crua ou enfeita e doura; pesca o
que lhe interessa e mais lhe diz; e arquiva. Existe em cada homem uma lente
peculiar para entender o mundo. Que também o entendimento sofre mutações, o tempo
toma o que entende e a mente vai-se despojando de porquês e perplexidades. Será a causa da memória lho apresentar em diáfana
simplicidade. Carregado de infância e
noite, regressa-lhe embrulhado em certa
ternura com sabor de chocolate, aparição que descola da sombra de uma casa que
já não há.
FIM
segunda-feira, 4 de abril de 2022
Ao Rés da Cal
A vida é como os sinais de pontuação.
Certifica, acentua, muda sentidos, confirma-os. Ou apenas baralha e dá, acontece. O reencontro deu-se através de inesperado convite. Ignorantes um do outro.
Ao prazer de revê-lo – dessa vez cumprimentaram-se – juntou com agrado
conhecer-lhe mulher e filha. A idade acentuara o gigantismo antigo e fizera dele
uma espécie de árabe alto e todo músculo, de acentuada pilosidade; figura
maciça, ausente de gordura e delicadezas, que extravasava da roupa; em
flagrante contraste com a beleza clara da mulher, uma loira alta de boa pele. Nela,
ressaltava a harmonia fluida do todo, a compreensão aveludada dos olhos e os
longos e anelados cabelos, carneirinhos submissos descendo ao colorido da blusa.
Longe da banalidade, lembrava as jovens de Botticelli. A filha, sem traço paterno,
era uma miniatura de porcelana que replicava a mãe. Ternura sem palavras, o
olhar dele passeava de uma a outra.
Mas a vida não é um quadro. A vida é
movimento, faz e desfaz sem pejo. E os humanos são os seres mais voláteis e
mutáveis da criação. Não se assemelham à moldura natural ainda que os acidentes
e a sequência das estações possam alterá-la. Nem sequer qualquer conjunto de
objectos, mesmo que mudados de lugar, sofre tão grande alteração. Era uma festa
circunstancial onde um grupo de infância de que ambos faziam parte, teve
oportunidade de se rever. Adultos. Alguns surgiram com par, outros sem
laços anunciados. Só ele, o mais velho, já com uma filha. E a garota foi a
coqueluche da mesa.
Às
conversas iniciais de entrosamento, acrescentaram lembranças de escola e
brincadeira que uns tinham presentes e outros ali avivaram. E aconteceu a
refeição. No barulho de talheres e conversas a meia voz, o cuidado materno era
notório e essa atenção isolava as duas dos restantes comensais. Ao invés, o pai
parecia
auto excluir-se; se a garota – sentada entre os dois - o solicitava, tinha de fazê-lo repetidamente e
a puxar-lhe a manga da camisa, por vezes requerendo ajuda da mãe para captar a atenção.