terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Tolentino



Esta semana a obra em análise era “O Principezinho”. “Le petit Prince”, sendo textual. Não vou falar-te de Saint Exupéry e da sua vida aventurosa. E nem sequer me dou ao trabalho de te resumir o texto que li tanta vez. Também vou passar em branco a viagem que a professora fez pela obra e a digressão do Padre António que também meteu o bedelho. Não que tenham sido banais. Nada disso. Mas julgo ser livro para ler e pensar a sós.  Fora os “meus” poetas, é seguramente a obra que li e reli mais vezes. Tens razão, é muito curta. Apetece-me sempre que continue, mas infelizmente não acontece e rápido lhe chega o final. Que eu morria no deserto com aquele príncipe de cachecol desfraldado. Desaparecíamos os dois. Escafedíamos no ar sem deixar rasto.
Voltar ao Principezinho acordou em mim pessoas que já não estão. Gente que, se o lesse, ia medir o seu gosto com o meu e agradecer-me muito. A pena que tenho de não lho ter dado a conhecer. Para eles, não houve o tempo deste livro e quase não houve o tempo dos livros. Por outro lado, relê-lo fez mais presente um professor de quem tive a sorte de ser aluna. Pelo extraordinário conhecimento que possuía; pela forma como o transmitia e que não observei em mais ninguém; pela humanidade que emanava, se notava no olhar e em tudo que dele viesse. Era uma pessoa serena e foi o único professor que me beijou; assim uma coisa sem palavras, mas com a ternura que se precisa. Também foi num dos seus testes que tive uma amnésia suspeita e de que não suspeitei. E ele calmo, mesmo atrás de mim que olhava a chuva sem me lembrar do que fosse; ele, não te preocupes, descansas e repetes o teste na semana que vem. E eu tão atónita comigo e a pensar, como é que se descansa que já não sei. E outras parvidades assim que eram afinal muito razoáveis porque estava a perder o controlo. Esse professor que vive comigo e foi sempre o meu exemplo, a quem chamávamos ternamente, e por ser três réis de gente, “O Serpinha”. Oficialmente, ensinou-me Psicologia. Mas o que ele ensinava sempre sem que o dissesse é que “O essencial é invisível para os olhos”. E o que mais fez foi cativar-nos. Foi nas suas aulas que me foram apresentados três livros: Um livrinho pequeno de Matilde Rosa Araújo que ainda conservo já todo descapado e de folhas soltas, O Meu Pé de Laranja Lima que ofereci a uma garota que gostava de ler, e O Principezinho. Os dois primeiros fizeram as delícias dos meus alunos e perderam nas suas mãos o brilho inicial. E conservo-os a todos naquele papel amarelecido de tempo e dedadas.
Tenho certeza que o Serpinha faz companhia ao Principezinho. Não sei se cabe no seu planeta minúsculo, mas a esta hora arranjou maneira de ajudá-lo a varrer a cratera, alimentar e cuidar da rosa e delicia-se com uma data de pôres do sol.
E olha, Tolentino, continuamos em modo de primavera. E a tua igreja tem um tecto maravilhoso. Mesmo.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Era uma vez...


Seguia sozinho na lateral, como quem não pertence, o fato negro a agigantá-lo na brancura da camisa. Nos últimos anos a novidade do dia a dia, outra família e a irrequieta juventude da mulher davam-lhe novo alento, remoçara. Assoberbado, quase esquecera que   a vida se compraz no exercício de momentos difíceis. Tinha conseguido um apartamento aprazível num quarteirão de qualidade e a saudade dos filhos já crescidos virara hábito de gaveta, se não fora a contribuição mensal, quase poderia iludir-se e pensar que não existia senão o bebé que, em desdentado entusiasmo, lhe estendia os bracitos. Viajava pouco para Portugal e em cada  regresso à terra se sentia mais deslocado, exposto a mirones que o observavam num misto de perspicácia e animosidade que avultava  em crítica velada e nunca dita, como foste capaz. E as visitas espaçavam tomadas de brevidade, um abraço e dois dedos de conversa com os pais que envelheciam regulares, involuindo no seu canto, desprendidos de preocupações exteriores a medicação, refeições e sono. Fetos em placenta, alheavam de novidades. Outro neto, nora jovem, a nova vida do filho, assuntos  fora da redoma. Tudo neles se apagava excepto a réstea ressentida pelo abandono. E ele acusava esse mau estar de amor magoado, um cheiro de sentimento requeimado a que a boa vontade sucumbia de palavras presas na garganta. Olhava os pais a desconhecer-se, não pode ser, gosto deles, são meus pais. Mas não encontrava dentro de si senão pena, dó de dois velhos taralhocos e que mal se tinham de pé. Despedia-se. Agora, triste ironia, estavam os dois vivos e a morte levara-lhe o filho. A vida sabe ser desastrosa, proposita-se a escândalos que contrariam a natureza das coisas. Ao invés das irmãs, o filho escrevia-lhe por vezes longos mails, mas pouco lhe confidenciava ao telefone. E vivia a prometer a visita de férias sempre incumprida porque as namoradas, o emprego de férias, um curso rápido que queria concluir. Reparou que toda a gente parada, um murmúrio a atravessar a multidão. Lá à frente, um magote de preocupação reunida e junto dele duas velhas, num soslaio de esguelha a altearem a voz, coitadinha, a pobre desmaiou outra vez. Sozinha com o desgosto é que ela está. E ele para si, então e eu, não conto. Andei com ele às cavalitas, ensinei-lhe os pés no triciclo, empurrei-o na bicicleta, acompanhei-o no vício do futebol, dei-lhe banho, vigiei-lhe as febres infantis, vesti-lhe os bibes da pré escola, dei-lhe a papa à boca, inventei histórias para que comesse a sopa, adormeci-o vezes sem conta. Mas não conto. Sou ninguém, um pai de faz de conta, sem direito a desgosto. Se choro, lágrimas de crocodilo; se entristeço, é só para parecer; se me acerco da mãe, é tudo fingimento.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Amigas Minhas...

Hoje a cafeína deu-me para a nostalgia. Assim uma necessidade do meu trio de amizade mais funda e que me fica factualmente tão distante como perto do coração. As minhas amigas não têm destes descaminhos. Se os sentem, jamais deles soube. Não se plantaram de surpresa à minha porta, nem, por impossibilidade de presença,  me disseram via mail ou sms, lembrei-me de ti, como é que estás. Nada. São um túmulo, aquelas santas. Contudo, sei que sou, talvez para as três, mas seguramente para duas delas, a amiga dilecta. É verdade, há uma que é diletante e é incerto o meu lugar na sua vida, admito ser mais memória  que actualidade e tal facto não me perturba. Digamos que nos queremos bem com demasiada liberdade. A intimidade é laço que não estrangula mas aperta. Ora, o aperto de união entre nós duas, desatou.
Com as outras duas experimento o sentimento unívoco das amizades plenas. Se as encontro, é como se os longos intervalos  entre nós elidam, parece-me sempre que, por sermos tão as mesmas umas para as outras, nos vimos no dia anterior. Tenho com elas milagrosas afinidades de raiz secular. Na relação que mantemos, cada uma prolonga-se na outra e tudo que vivemos juntas encontra-se ungido de sacralidade. No entanto, são ambas muito diferentes.
Com uma tenho afinidades electivas, intelectuais talvez, admiro-a e estimo-a com o amor que dedico às coisas belas e frágeis – tudo que é belo é por natureza frágil - e creio sinceramente que, no género feminino, só eu estou perto de entendê-la. Acredito-a especial e única, seres da sua natureza não são apenas raros, detêm uma fragilidade ímpar, flores de planeta distante que necessitam certa redoma para sobreviverem na Terra. Precisam de um pequeno príncipe a velá-las, constante. Nunca passeei a sós com ela e sei que talvez não aconteça, a sua segunda natureza acompanha-a sempre.
 A outra é trabalhadora incansável, o esteio da família e leitora voraz.  Gosta sobretudo de romance histórico, tem um carácter de bondade ímpar e uma fragilidade comovente que se magoa em espinhos fictícios e por eles entristece. É um coração de ouro e gostei dela ao primeiro encontro. Não consigo entender como é que não tem um carradão de amigas, é mais acolhedora que salinha de estar agradável e aquecida, com bebida fumegante sobre a mesa em dia de inverno. Dou graças aos céus por tê-la conhecido. Junto dela não me existem estranhezas e todo o caminho é aromático. Gosto tanto dos nossos encontros como de beber café. Aquela garota revigora-me.  Mas encontramo-nos tão pouco que, este ano, me (e a) levei a um ultimato: vamos encontrar-nos a 8 de Março. Até ao fim. Não que eu ligue ao Dia da Mulher. Mas sei que, como eu, prefere datas e rituais. Além disso, o seu aniversário é nas imediações. Vai ser bom dar-lhe a prenda em mão. Estar com ela a sós uma vez no ano, pelo menos. Esperar por um dia que nos pertença.
Não sei tanta coisa da vida delas. E quanto ignoram da minha. Mas de cada vez que nos juntamos, é sempre uma alegria completa.
Bem hajam!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Tolentino


(cont)
A peça, que se desenvolve em teia relacional, termina com a frase, “o inferno são os outros” e é enriquecida por constantes contradições, sendo uma delas que, se a porta abrir, não ficam mais próximos do exterior, seguem-se mais salas e corredores. Não há saída.
Pois apreciei a professora e o que li para a sessão, e fiz o meu boneco mental que talvez não coincida com nenhum outro mas é o meu. Supus que aquele interior é a consciência tomada em duplo sentido: a autoconsciência de si e a consciência que o eu tem de si por influência do espelho que são os outros e lhe reflectem a imagem (a exterioridade). Nos três personagens, autoconsciente é só uma pessoa (Inês), os outros dois vivem para a mundaneidade, estão marcados pela preocupação de parecer. Portanto, outra contradição: imersos num interior sem mudança afirmam a sua exterioridade e aparência. Outro facto insólito é que a porta, quase no final da peça, se abre. Contudo, nenhum sai. Podiam fazê-lo. Pergunto, e para que sairiam? Para um corredor ou outra sala?...estão mortos e não têm saída, escolher não existe, les jeux sont faits; No sentido inverso, nós estamos vivos e, enquanto tal, condenados à liberdade. Porém, no sentido menos literal, o facto de permanecerem os três juntos e não atravessarem a porta aponta a ausência de escapatória: não se foge da autoconsciência de si e de outrém sobre si.
E o inferno são os outros? Sim, também. Porque petrificam, enchem de rigidez a imagem de um ser que é mutável. Porque nos olham com olhos seus, subjectivos, e a visão pode deturpar, não ser justa, funcionar de acordo com as vicissitudes de quem olha. Mas, também “l’infer c’est le moi”. Porque cada outro é um eu que, como os dois personagens, pode não ter a coragem de se olhar a si mesmo e menos ainda de admitir publicamente essa verdade: o espelho é uma força.
Deixo apenas a questão, será que Inês consegue levar os outros dois a esse nível de autoconsciência de si? E isso salva os três? Pois acredita, não o sei. Mas parece-se um bocadinho com a escalada dos prisioneiros para o exterior da caverna. Mais claustrofóbico. Tu que dizes?
Só para terminar – eu sei, falei em demasia e pouco disse -, fica sabendo que Fevereiro este ano destravou. Digo-te que tem estado ameno e de rara chuva, quem sabe permutou com Março. Tolentino, fica atento que as mínimas em Roma são uma desgraça, fui dar uma olhada por via da tua pessoa. Cuida-te nas madrugadas. Enfia um casaco, dá duas voltas no cachecol que esses ares não são Lisboa e menos ainda a ilha da Madeira.
Até para a semana e não trabalhes em excesso.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Tolentino


Peço desculpa pelo atraso, mas, como sabes, a vida às vezes escraviza-me e em vez de me deixar escrever põe-me a fazer coisas. E eu que rápida era, agora, por razões, encho-me de lentidão e vagares. A bem dizer razões é o que não me falta.
Ias gostar desta sessão. Seguramente. A forma como Isabel Caldeira Cabral, que conheci apenas Isabel Caldeira, tratou a peça de Sartre “Huis clos”, foi por demais agradável. E sábia. Digo-te, saí repleta. Não ta vou contar em pormenor, de certeza a conheces. Julgo ser mais grato e útil lê-la que assistir à representação. A leitura usufrui de bens que a peça exige: tempo para pensar, reler, repensar, matutar no valor de palavras e expressões. Bom, mas isto sabes tu de sobra.
 O enredo desenvolve-se num único acto e o cenário é o interior de uma sala fechada. Há apenas três personagens, três mortos: um homem e duas mulheres. Qualquer das personagens, no desenvolver dos seus defeitos, nos lembra alguém –  nós mesmos em determinados momentos. Somos levados a concluir que estão no inferno, são três assassinos isentos de sentimentos profundos: não estão arrependidos e nem sentem ou sentiram em vida verdadeiro amor por alguém. Foram postos conjuntamente numa sala para a eternidade, estão fora do tempo, sem dia ou noite, sempre juntos num calor sufocante e sem janelas, iluminados eternamente, o seu descanso da luz é o pestanejar. Um trio que se olha e julga sem descanso - Julgo eu que não faltem espelhos na sala, os três são espelho uns dos outros, mas só um é espelho de si mesmo.
(Continua)

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Era uma vez...


Ela indiferente, passo certo. O filho que desde o peito lhe bebera gostos e manias, mesmo que quisesses não conseguias, és fraquinha - e passando-lhe um dedo na linha do rosto - olha para isto, ficaste uma fuinha, tu já te viste ao espelho. Pois não te vejas que estás feia. E logo ela a escurecer ainda mais, bem sei. Ele a emendar arrependido, mãe, então...esta hora é para a passadeira, pensas apenas em mexer as pernas. E tinha sido assim. Recomeço de passadeira, treino de corpo e pensamento. A afastar o marido devagar, por vezes só uns milímetros, planta débil que endireitava lentamente para o sol, mais instinto que vontade. Filha única, fora menina de sua mãe, um ai jesus mimado ao exagero, as empregadas correndo atrás com casaquinhos de lã e agasalhos, luvas e gorros. Na primária, a deferência da professora, menina Maria Laura como estão os paizinhos. Adolescente, o corpo  a organizar-se sozinho, peito entumescido e cintura que afinava, as colegas na ginástica mirando-a e a cochicharem, é bonita não é. E bonita, sim. Crisálida virando borboleta. A pele acetinava de gosto, pestanas embastecidas sombreavam a vivacidade dos olhos e as sobrancelhas ganhavam um louro escurecido que emprestava ao olhar certa profundidade pensativa. O corpo, moldado por artesão incógnito, torneava. E o cabelo apanhado exibia a ternura de anéis principiantes aninhando na nuca uns contra os outros, quais pássaros friorentos que apetecia afagar. Ou, garotos em esquina brincalhona, espreitavam a fronte a um lado e a outro.  Solto, o cabelo era manto que espargia em ondas largas, substitutas de prosaica e infantil campina loira. A directora da escola agradada do aprumo, mirando o uniforme impecável, cabelo comprido só apanhado, ouviste. E ela uma trança, um elástico, carrapito.  
E o filho sempre atento, espreitando à porta do quarto, a desviá-la e instruí-la, não te apetece mas tens de vir, vamos ao cinema; não queres, vens sem vontade – e num repente -, se não vieres, ficamos os dois em casa. Outras vezes puxava por ela, hoje treinas um bocadinho mais, cansada dormes melhor. As filhas, mais pegadas ao pai, num mutismo involutivo, a olhá-la estranhas, olhos de acusação incerta, não será que a culpa foi tua. E apesar do ginásio, dias e noites um aborrecimento de horas iguais e sem esperança que acudisse. A dúvida a insistir, teria sido ela. Talvez que certo desleixo na imagem, mas onde. Os partos não lhe tinham roubado a figura, não descurava a cabeleireira, era de boa pele e o agrado masculino ainda a acompanhava.  
Mas deixar-te ali filho, em lugar de pedras e flores fingidas, como é que posso. Que toda a crueldade se esconjura de uma vida em botão. E este sol que assenta forte, e se te faz mal a soalheira neste ermo sem uma sombra, meu menino. Ajuda-me agora, filho. Ensina-me como é que se deixa quem não se aparta de nós, ou não me aguento. E a garota a segurá-la, mãe, mãe, ajudem aqui que ela desmaiou de novo. E logo a fortaleza de dois braços a sustê-la, o féretro parado, um murmúrio de dó e suor no calor da tarde. Palmadinhas, uns borrifos de água, bebe uns goles, faz-te bem. E ela a pensar na injustiça de a arrancarem da morte, no para quê do sofrimento.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Destratar


Rotinas cumpridas não dão pelo nome de prazer, são antes uma tonalidade agradável, espécie de aroma a roupa lavada que predispõe. Ou predispunha, se depois delas sobrasse disposição.
As mulheres que conheço têm um abuso de rotinas sobre elas. Se as cumprem, há pelo menos um alívio, mesmo que sem odor ao desencardido da limpeza. E no entanto, um estudo recente – há estudos de tudo, cheios de percentagens e conclusões que leio e por vezes releio fora de toda a crença – mostra que as mulheres sofrem em média mais uma hora diária de rotinas caseiras que os homens. Santa paciência. Mas isto é verdade onde?  Talvez em casais sem filhos, jovens, nos que têm empregada, ou pelo menos umas horas de empregada diária. Mas, salvo raras excepções, nos casais de menor rendimento económico, tal diferença  nem sequer se aproxima da verdade. Uma hora diária de trabalho extra seria risível se essas mulheres tivessem acesso e lessem tal artigo. O artigo deveria antes dizer que os homens, aqueles queridos, gastam em média uma hora diária em trabalho caseiro. E esta hora pertence, é claro, aos bons companheiros, aqueles que fazem o favor de apanhar uma roupa do estendal, põem a mesa, dão comer ao animal de estimação, podem lavar uma loiça e sabem pôr a loiça na máquina. Com muito boa vontade, no total, somado e arredondado, perfaz uma hora de trabalho  diário. Que a maioria não faz nada; diria uma amiga minha na sua gíria arremelgada, "não fazem a ponta de um corno".
Ora as mulheres que me inflamam são as portuguesas e arrisco que sejam a maioria. Pois elas, ao contrário do que o artigo apregoa, sofrem igual carga horária no emprego que não existem horários fabris ou de restauração, ou do que seja, senão de oito horas quando não são mais e sem paga de horas extraordinárias. Sim, estamos nisto.
Irritam-me estes estudos da treta muito cheios de objectividade fictícia. Muito dos resultados depende da qualidade e rigor da amostra, como sejam a quantidade e diversidade percentual de exemplares que a amostra contempla. Ora estou consciente que os deserdados da sorte são em muito maior número que os beneficiados. Com a classe média a ir por água abaixo, os jovens a ganharem tuta e meia, sejam licenciados ou tenham o décimo segundo incompleto, o Portugal de hoje tem ingressos na pelintrice a dar com um pau. E sempre a aumentar. Mas as mulheres vão segurando. E assegurando. Que os homens têm o seu emprego. Coitados. Que trabalham tanto. Os pobres.