Eu
sei, os telemóveis são imprescindíveis. Certo. A gente dantes vivia sem telefone,
mas hoje prolonga-nos, é uma espécie de braço inteligente que se estende para o
mundo. Porque tem de se dizer isto e aquilo, enviar sms a perguntar e
contar ninharias, botar likes sei lá bem onde (desalinho nessa coisa de likes).
Depois, os dados móveis dão acesso a tudo, notícias, youtube, google maps e o
mais, que o sabichão mister google sabe tudo que se queira (não é bem assim), e sei lá quantas redes sociais, e jogos, e etc.
E temos de estar sempre a mandar palpites e a cuscar este e mais aquele. Pois.
É verdade, também ando de telemóvel na mochila, já quase tive vício de sms e números
de telefone infinitos que pensei ter apagado, deu-me um trabalhão estar a avaliar
um a um e agora, sei lá porquê (será a
páscoa dos endereços), ressuscitaram
todos, todinhos. Pois não senhor, o telemóvel não me é imprescindível. Mas sou-lhe grata, ainda que o maroto se ausente
sem licença.
A
tecnologia a que sou mais grata é mesmo o portátil. Curiosamente, foi a ferramenta que mais temi, aquela a que me habituei com maior dificuldade - fiz
um curso onde não aprendi quase nada por razões que um dia, se me apeteça,
hei-de contar - e levei anos a afirmar que só me servia para o trabalho. Começou
por ser obrigação laboral. Mas evoluí. Bem devagar. Ainda desconheço várias funções
e aborrece-me perder tempo com máquinas (todas). Uso-o com parcimónia e muito
respeito. Lavo-lhe a cara de vez em quando e só não o penteio porque, enfim,
não tenho como. É o objecto que sempre levo comigo se durmo fora e tenho
cuidados com ele que não se imaginam. Sei sempre onde está e entristeço
grandemente se ameaça ter um achaque, qualquer ponta de febre me apavora alma e
bolsa. O mundo do portátil partilha a
minha rotina. Não posso dizer que o levo
a todo o lugar, mas afirmo que me (a)guarda em todos os quartos de pernoita. Já
frisei em vários posts a razão do nosso entendimento. Gosto de escrever e o
teclado é-me mais propício que o papel; o mundo dos blogues põe-me em contacto
com pessoas que não conheço senão daqui. Comparando com a alegoria de Platão,
diria que é um mundo de sombras que escrevem, não dão muito trabalho e são
pessoas na mesma; além disso, posso escolhê-las e elas idem e nunca é amor à
primeira vista porque, nos primeiros tempos, visto-me de cautelas que disfarço
de simpatia. E se laços existem, são muito livres, cada um anda por onde quer, nas
horas que pode, e escreve o que bem entende. Os comentários dão-me a ilusão de
conversa e companhia. Mas não são. São outra coisa. Mas outra coisa também faz
falta e nos acrescenta.
A
vida corre e vai-nos dando lições. Comecei por detestar o objecto em causa,
disse mal dele aos quatro ventos, prometi que nunca perdia tempo com tal aborrecida
máquina. E acabei prazeirosa utilizadora. Sou forçada a reconhecer: hoje, o
portátil é o meu suplemento alimentar, remédio de venda livre que prescinde receita médica e ida à farmácia. Viva!!!