quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Milagres Tecnológicos

 

Eu sei, os telemóveis são imprescindíveis. Certo. A gente dantes vivia sem telefone, mas hoje prolonga-nos, é uma espécie de braço inteligente que se estende para o mundo. Porque tem de se dizer isto e aquilo, enviar sms a perguntar e contar ninharias, botar likes sei lá bem onde (desalinho nessa coisa de likes). Depois, os dados móveis dão acesso a tudo, notícias, youtube, google maps e o mais, que o sabichão mister google sabe tudo que se queira (não é bem assim),  e sei lá quantas redes sociais, e jogos, e etc. E temos de estar sempre a mandar palpites e a cuscar este e mais aquele. Pois. É verdade, também ando de telemóvel na mochila, já quase tive vício de sms e números de telefone infinitos que pensei ter apagado, deu-me um trabalhão estar a avaliar um a um  e agora, sei lá porquê (será a páscoa  dos endereços), ressuscitaram todos, todinhos. Pois não senhor, o telemóvel não me é imprescindível. Mas sou-lhe grata, ainda que o maroto se ausente sem licença.

A tecnologia a que sou mais grata é mesmo o portátil. Curiosamente, foi a ferramenta que mais temi, aquela a que me habituei com maior dificuldade - fiz um curso onde não aprendi quase nada por razões que um dia, se me apeteça, hei-de contar - e levei anos a afirmar que só me servia para o trabalho. Começou por ser obrigação laboral. Mas evoluí. Bem devagar. Ainda desconheço várias funções e aborrece-me perder tempo com máquinas (todas). Uso-o com parcimónia e muito respeito. Lavo-lhe a cara de vez em quando e só não o penteio porque, enfim, não tenho como. É o objecto que sempre levo comigo se durmo fora e tenho cuidados com ele que não se imaginam. Sei sempre onde está e entristeço grandemente se ameaça ter um achaque, qualquer ponta de febre me apavora alma e bolsa. O mundo do portátil  partilha a minha rotina.  Não posso dizer que o levo a todo o lugar, mas afirmo que me (a)guarda em todos os quartos de pernoita. Já frisei em vários posts a razão do nosso entendimento. Gosto de escrever e o teclado é-me mais propício que o papel; o mundo dos blogues põe-me em contacto com pessoas que não conheço senão daqui. Comparando com a alegoria de Platão, diria que é um mundo de sombras que escrevem, não dão muito trabalho e são pessoas na mesma; além disso, posso escolhê-las e elas idem e nunca é amor à primeira vista porque, nos primeiros tempos, visto-me de cautelas que disfarço de simpatia. E se laços existem, são muito livres, cada um anda por onde quer, nas horas que pode, e escreve o que bem entende. Os comentários dão-me a ilusão de conversa e companhia. Mas não são. São outra coisa. Mas outra coisa também faz falta e nos acrescenta.

A vida corre e vai-nos dando lições. Comecei por detestar o objecto em causa, disse mal dele aos quatro ventos, prometi que nunca perdia tempo com tal aborrecida máquina. E acabei prazeirosa utilizadora. Sou forçada a reconhecer: hoje, o portátil é o meu suplemento alimentar, remédio de venda livre que prescinde receita médica e ida à farmácia. Viva!!!

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Objectos de Uso Diário

 

São os mesmos há muito ano. Colocados em lugar fixo, que me desarruma a vida mudá-los e conforta-me saber o que encontro se estenda a mão de olhos fechados. Escrevo sobre objectos diários. Meus com todas as letras. Meus porque só eu os uso e disponho. E também porque vivem comigo mais horas: todas as horas de sono e preguiça, os momentos de sonho, o tempo de ler e até de escrever, os desânimos e cansaços que não sei como a cama aguenta sem se espatifar, as alegrias que imagino me fazem leve. E eles ali, a postos sem solenidade. Escrevo pois, sobre os objectos do meu quarto. Sobretudo os que me rodeiam a cabeceira, na expectativa de que me guardem os sonhos, os façam pesados e revigorantes. Portanto, há autores de quem sou íntima, dormimos juntos. E amo certo candeeiro turco de luz azul que me foi oferecido há anos. Deambulou por minha casa sem rumo fixo, que os objectos têm suas preferências e não lhes serve qualquer lugar. Quando chegou ao meu quarto, ficou. Gosto dele e de quem mo deu. E gosto mais, se imagino a chatice que foi carregar um candeeiro com globo de vidro todo colado de missangas ou sei lá, em tonalidades de azul. Descansa-me o azulado fraco da luz, o desenho iluminado do globo, a intimidade que acontece ao clique do interruptor. Imerso nesta luz celeste, o anjo que me guarda sobre a cómoda, branqueja de asa aberta e incentiva, dorme. Mas, apesar deste céu de electricidade e cores vidradas, preciso situar a noite. Melhor, situar-me nela. Na mesa do outro lado, brilham a vermelho incansável horas e minutos digitais. A um lado tenho intimidade e sonho e, no outro, move-se a realidade temporal dos relógios, sequência de horas, distância entre dia e noite. Olhei vezes sem conta aqueles números. Algumas vezes querendo que não passem, a maioria delas apenas constatando quão lentas são as horas nocturnas. Constatação sem mágoa é aceitação do irreversível; o tempo faz-se maior à medida que encurta e menos nos resta por viver. Duram mais os momentos e as horas. Acontece. Pode ser do relógio. Ou de mim.

Os livros? Bom, os livros estão na mesa do relógio, que o candeeeiro turco é totalitário.

E é isto.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Talvez um Toque Especial

 

         Tudo que me acontece é pequeno. Que me lembre, em tamanho gigante, só um ou outro desgosto. E a pandemia  veio desacelerar ainda mais as “pequenas alegrias”. Quase nada acontece fora das invariáveis mudanças naturais. De modos que vou ser sucinta, não tenho memória de qualquer pequeno acontecimento a que esteja grata além do meu encontro diário com a Violeta e a Lili. Mas posso talvez falar de um autor(escritor) que me aconteceu nesta vida parada. É espanhol, assina Jaume Cabré e não o conhecia. O primeiro livro que li, “As vozes do rio Pamano”, foi-me emprestado e aborda a vida de um professor primário durante o franquismo. Ao longo da obra, Jaume escreve sobre muito assunto e muita gente, a vida do professor é só o eixo da história, mas se fora só ela, já o livro valeria. É narrativa que me apraz e noto-lhe leve travo de humor que incentiva a leitura, tem muita folha e nenhuma em vão. Amo histórias bem contadas.

 De viva voz, manifestei o meu apreço, teci-lhe elogios, senti-me grata por mo darem a conhecer. O reforço deste pequeno fait divers surgiu uns meses depois sob a forma de prenda, novo livro do autor. Novo para mim, não é publicação recente. Alguém se lembrou de mo procurar. Ainda o não terminei e o título “Eu confesso” diz pouco acerca do intrincado de gente e situações, de presente e passados - recua imenso no tempo, chega à Idade Média e aos cátaros. Uma constante nas duas obras é a existência de alguém que pertence ao tempo da escrita e cuja situação se relaciona de alguma forma com a maior parte da história virada a um passado mais distante. No caso de “Eu confesso” há uma predominância da dimensão religiosa em todas as épocas e do sofrimento judeu durante e após a segunda guerra mundial. Podemos dizer que há inúmeras histórias encadeadas no tempo e um violino de que vamos tendo notícia desde as árvores e as pessoas que o fizeram nascer até ao que eu suponho ser a morte do instrumento (que ainda não li), as mãos por que passou e os sentimentos torpes ou belos que gerou ao longo do caminho. Acresce que este livro tem uma novidade formal em relação ao anterior: a narração passa de súbito da primeira para a terceira pessoa. E “de súbito” é, por vezes, a meio da frase ou depois de uma vírgula ou de um ponto final que não é parágrafo. O narrador é eu e é ele no mesmo parágrafo. Mas lê-se sem dificuldade. E perpassa na escrita o mesmo fio de fino humor. Há ali muita sabedoria. Ou/e trabalho de pesquisa.

    Muito grata, Jaume. Por que razão os portugueses te lêem pouco, juro que não sei. Desculpa-os, são eles os perdedores.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Amigas

 

Uma vénia aos meus amigos. E, ao debruçar-me, lhes beijo mãos e pés. Não sei de forma mais simples e verdadeira para o reconhecimento. Pertencemo-nos. De coração. E mais tudo que é eu.  

Acontece que tenho uma amiga desde a idade dos sonhos, os meus eternos dezoito, dezanove anos. Época memorável. Esta amizade apanhou-me numa curva difícil e  a sua ternura alegre e atenta foi panaceia e abrigo. Semi-internas numa casa religiosa, demos algum trabalho às freirinhas que nos recebiam. Nesse tempo em que eu não pregava olho, ela tornou-se evidente pela preocupação convicta. Depois de mezinhas e medicação infrutíferas, noites e dias insones, pusemo-nos as duas a estudar o problema que resolvemos sem médico ou fármaco. Mas o seu desvelo. Manhãzinha, subia a escada e perguntava, dormiste?, e descia contente e a saltar degraus, na posse da minha afirmativa. Tanto sonhámos juntas. Tínhamos nossos derriços e era uma felicidade e um acelerar de coração intuir um possível encontro a caminho da escola. Ou, quem sabe, dávamos uma fugidinha ao jardim e cirandávamos de mão dada, perdidos em prazer inocente e um pouco orgulhosos. Cruzámo-nos algumas vezes, um arzinho tão de felicidade no rosto dela que ainda me comove recordá-lo. Não fomos o futuro uns dos outros. Perdemos o enleio das mãos, as palavras, os silêncios cheios de pássaros e clorofila, eu cantando brasileiradas a um rapaz que possivelmente as não apreciava. Depois, atravessámos a juventude por correspondência, confidências dobradas em quatro, envelopes opados. Juntávamo-nos em férias e, à boca do Inverno, ela enviava-me uma saca de castanhas que assávamos ao borralho de Dezembro.

Casou e passou por nossa casa em lua de mel. Para me apresentar o respectivo: simpático, charmoso.  E, no meu à vontade, não tardei a visitá-los. Ela feliz, dona de sua gravidez moderna e desempoeirada. Tive a absoluta certeza que conservávamos o essencial. E também que avançava destemida por sector que eu desconhecia. Havia uma alínea da vida que partilhava talvez com familiares ou gente do mesmo rumo. Nada nos afectou. Perseverámos nas missivas feitas de novidade, queixas, desabafos. Visitava-a com frequência. Vi-lhe crescer os filhos e, quando me resolvi a enfrentar a dita alínea, enfim, eis-nos juntas em casa uma da outra. Mas as cartas. Ah, as cartas que eu ainda lhe envio; e as que  me escreve: novidades, queixas, leituras, pequenos nadas que só contamos a quem. Já tentámos o mail, mas queixa-se que o digital lhe come as ideias. Sobram as cartas.

Quanto sonho não se fez verdade, e quanta verdade incómoda nos cresceu fora do sonho. Mas o nosso milagre enraizou, é verbo irregular que conjuga no presente. Adaptando Régio, “se não fora tê-la assim/ sempre à beirinha de mim/ eu já teria morrido/ ou já teria fugido/ ou já teria bebido/ algum tinteiro de tinta”.

 


domingo, 13 de setembro de 2020

Aquele Parente Especial

 

Calha-me a muita sorte de ter vários parentes especiais. Gratíssima pela dádiva, portanto. A uns, admiro a suave delicadeza no vagar de mãos gretadas e envelhecidas; a outros, a calma digna com que absorvem os dias, imóveis em sua cadeira de rodas, sozinhos no meio dos mais como eles; àqueles, admiro a conversa fácil e a textura suavemente pícara em imitação de voz, entoação e termos que desgarram da sua mesma inocência, “a minha filha anda a fazer um tratamento muito grande e agora vai ter um bebé profeta”; a estes, invejo os olhos desvanecidos pousando no precioso bem do jardim, corolas e corolas abrindo à soalheira e, regador na mão, são incansáveis  possuidores da primavera floral. Mas, que querem, o “especial” corre-me directo do coração, é coisa de esquentar veias, artérias e demais vida em dias escurecidos e noites de candeio. Tenho um tio especial.  É pessoa bem disposta, assisada e tem, ele sim, um talento especial para lidar com crianças e ser feliz com elas. Os netos – todos, sem excepção – adoram-no e passam a maior parte do período pré escolar e de férias em casa dos avós e brincando com o avô. Ou seja, em sua casa há um albergue da juventude que, neste caso, acontece desde a idade de meses e há-de terminar não se sabe quando, que a mais velha já está à beira da universidade. Gostava de ser neta do meu tio. No entanto, os nove anos que nos separam também garantiram proximidade de ama. Partilhou comigo muito do seu tempo livre lendo histórias, mostrando a banda desenhada a que eu não dava importância, excepto no caso de Rip Kirby por ter uma secretária de deslumbrantes óculos avant garde; diga-se que ainda hoje adquiro óculos sem destino (baratos, claro) na tentativa de me tornar assim um bocadinho insinuante e ficando apenas esquisita. Depois, havia o príncipe Valente que tinha uma mulher linda, creio que se chamava princesa Alexa e usava lassas tranças loiras sem o sufoco das nossas cordas de caldeiro; das tranças de Alexa (nome mais exótico) não saíam cabelos espetados como agulhas (havia um trio de tranças agulhentas em nossa casa), nem eram atadas com linha de coser, antes rematavam com lacinhos impecáveis - o mundo de papel é uma perfeição. Meu tio secou-me birras e rios de desgosto feito lágrimas, inventou jogos só nossos, deixou-me brincar com o loto dos animais, levou-me às cavalitas em voltas ao monte, a relinchar e a trote, eu a, a, a, a, a, toda entrecortada por via dos saltos. Para além disso, beijava-me e era carinhoso. Sobretudo, dava-me abraços com muita força e a meu pedido até que, já chega, já chega, ai, ai, ai, ai. Aí, minha avó dava o alerta, deixa a gaiata em paz. Mas a melga teimava, outra vez, tio. Jamais esqueço a tristeza dos seus dezasseis, dezassete anos quando, em força de vaso comunicante, respondi à sua voz embargada e olhos rasos com a abundância de desgosto infantil alheio a comportas.

 Tal como os netos, todos os sobrinhos o gostam de forma especial. Devo-lhe muitas coisas boas que não cabe aqui desvendar. Mesmo muitas. Algumas, relacionadas com o meu futuro escolar por que sempre lutou. Irmão caçula de minha mãe, também ela lhe reconhecia a unicidade. Vejo-o pouco. Vale-me a memória que o releva. Exclusivo e íntimo. 

Obrigada, tio.

sábado, 12 de setembro de 2020

Talento e Habilidade

 

 Nota prévia: pela primeira vez um desafio. Porque sim.

 

Pois, meus amigos, inicio com o tema 1 (tão original). É o primeiro em dificuldade e fico já despachada. Daqui a um bocadinho, pufff, enxugo o suor da mente e já está, descanso. É que ontem andei o dia inteiro à pesca de um talento, uma habilidadezinha mesmo que pequenina e nada. Nadica de nada. Pois se sou conhecida em família pelo rol de desabilidades que tenho vindo a desenvolver ao longo da vida, onde é que desencanto qualquer coisinha de jeito. Ora bolas para mim. Ou para o Criador distraído na hora dos talentos de je.

Portanto, restam-me as desabilidades. E aí, ó pá, é só desbobinar. Porque desde fazer nós sem querer e ser incapaz de os desfazer (nós de corda, que nos outros ainda sou mais audaz e é melhor nem começar), às caricatas situações em que não entendo o que os outros dizem - lerdice mental, ingenuidade congénita e simplicidade que ronda a idiotia -, pois tudo isso me aponta - e conta - para o rol de habilidades e talentos. No sentido inverso. Gosto da contramão, que se há-de fazer. O meu problema neste momento é como agradecer estes dons ao contrário. Bom, é certo que me trazem situações inesperadas. Fico fechada nas casas de banho públicas, acredito piamente no, “vai lá a casa” e depois desagrada-me notar a contrariedade involuntária ao abrir da porta; idem para o sentido figurado do “apareçam para almoçar” , mas com mais ênfase. Isto, descontando a minha crença total e literal nas palavras dos outros: a maior pêta assenta-me como verdade. Por mais que eu mesma diga e saiba que as aparências iludem, tenho um infeliz véu mental que mas faz ver reais. E assim vou caminhando alegremente pela vida. Sem emenda. Sou isto. Portanto, tenho de ser grata por viver em tal desconcerto. Afinal, tenho gags sem conta, risos inúmeros, conheci pessoas dentro deles que talvez não ousasse em circunstâncias para os outros ditas normais e que pouco me acontecem. Porque, como já entenderam, em tudo passo o meu involuntário véu de anormalidade. A minha vida é sui generis desde sempre. Yupiiii.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Setembro

 Setembro e as folhas mortas. É ainda verão, mas já elas tremelicam nos ramos, soltando-se na brisa da tarde e nos improvisos apetecidos do vento. Bucólico Setembro, obtusa luz que amarela e mais cedo desaparece no prenúncio dos dias pequenos. O Outono insinua-se por frestas de tempo quente e alerta o sangue dos velhos. Setembro é verão que adoece. 

Mas a pele ainda cheia de sol, cabelo em desmaio de cor, crianças que espigaram e precisam roupa nova. Juvenis amores de verão foram envolvidos em celofane de promessas a não cumprir e entram em asfixia; ou, envolvidos em papel de seda, sofrem as agruras da separação.  E podem os corações doentes não o saber, mas hão-de tornar-se leves, memória grata do verão x. Resta a vibração das sensações, aquele momento de sintonia extasiada, o uníssono desengalgado do desejo. Mais nada. A vida segue, e o coração de férias morre depressa.

Setembro são os livreiros respondendo a papelinhos incisivos, pescados em mala de mão ou bolso de calças, soletrados em fidelidade; são as encomendas de livros pela net e as contas que para tantos este ano são mais bicudas, os progenitores olhando as pilhas de livros e duvidando da capacidade dos rebentos que, dizem à boca cheia, podem ser muito distraídos, faladores, teimosos, preguiçosos. Mas pouco inteligentes, isso é que não.

Em Setembro, o meu plácido mar arranca do fundo da alma uma raiva barulhenta costurada a suspeitosas ondas bravias, e muda de feição.  Em conluiu, as gaivotas chegam cada dia mais cedo. Primeiro, como que distraídas, uma ou outra desenhando patas no areal. Depois, o ritual de círculos rasantes que antecede a imobilidade nocturna em bando pela areia. O mundo ajusta-se ao suave fechamento do Outono.

Há uma eternidade, Setembro era o último mês das férias grandes.  Eu mesma sou Setembro.