sábado, 7 de dezembro de 2019

Dia SETE



Entro ao pé coxinho nos enfeites de Natal. Mas pronto, dei o primeiro passo que é como quem diz, trouxe as caixas do sótão e arejei as peças.  Entretanto, descobri as fitas de embrulho que não encontrei ano passado. Bom. Bom.Bom. E depois fiquei parvamente a ler os cartões de Natal que me têm enviado ao longo dos anos.  Algumas pessoas deixaram de escrever e não foi por esquecimento. Letra tão bonita, parece que aquela mão não havia de morrer, que hei-de receber ainda este ano um cartão a falar da saudade sempre grata e amizade certa, desejando Bom Natal. Mas a verdade é que, de uns anos a esta parte, recebo apenas um cartão de Boas Festas (os unibancos desta vida e os dentistas não contam). Certo, as gentes enviam sms, ligam, escolhem um pps com piada ou beleza, segundo o gosto de cada um,  e clicam no enviar a todos, como se fôssemos farinha do mesmo saco. Ou personalizam um cartão elaborando-o, põem uma foto, um desenho alusivo, datam. E são incapazes de pensar que o que interessa personalizar não é o boneco que enviam, mas a mensagem escrita que segue para uma pessoa que é única e de quem gostamos. A indiferenciação que ocorre no campo do destinatário é irritante, arranha-me a alma.

Portanto,  cartas, selos, cartões natalícios tão bonitinhos, cheios de dourados, letras desenhadas a brilhos com as maiúsculas a capricharem nos arcos das pernas do B e do F, anjinhos com bochechas cérelac, cores suavíssimas e ruas e telhados a abarrotar de neve que é um gosto. Pois foi, perdemos tudo isso. Ficámos sem a neve, sem as maiúsculas vistosas, sem aquelas paisagens de sonho cheias de abetos a que a minha mãe chamava pinheiros e que debalde me faziam correr pinheiro atrás de pinheiro, sem entender o que se passava com os autóctones, parentes pobres de tão sugestiva elegância.

E que mais? Hummm...gostava de ter netos. Devem dar certo movimento à vida. Mas garanto que dada a conjuntura necessária à proficiência da coisa, é bem capaz de ser impossível até a um Deus pôr-me um no sapatinho. Paciência.



13 comentários:

  1. Já avisei amigos e familiares que NÃO quero cartões de Boas Festas. É que eu tenho pena de os deitar ao lixo depois do Natal 🌲 e já não tenho espaço para tanta tralha.

    AQUI festejamos o 2° Domingo de Advento 🌲 Aí a Nossa Senhora da Conceição. Um domingo abençoado para a bea. Para mim um domingo divertido 🎅

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  2. Bom dia, Teresa. Obrigada pelos votos:)
    Os seus amigos e familiares - e a Teresa - são na verdade incomuns; eles por enviarem cartões, a Teresa por os não querer. Enfim, albarde-se o burro à vontade do dono.
    Pois é, faz hoje muitos anos que por dois ou três anos seguidos fiz umas figuras tristes a dizer um poema a minha mãe. Que Nª Senhora me desculpe mas minha mãe não lhe deixava espaço.
    Na intenção será um domingo terapêutico que é como quem diz, descansado. E que o seu seja tão divertido como deseja.

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  3. Pois é bea, tudo muda, e não necessariamente para pior, mas esta banalização das sms também me entristece: já não somos especiais para ninguém, é tudo igual.
    C'est la vie!
    A mudança do Dia da Mãe de 8Dez para Maio sempre me irritou, e durante anos continuei a ignorá-la. Depois tive que aceitar, até porque em Dezembro nem havia postais à venda.
    No Dia da Mãe eu e o Francisco (o nosso gatinho - e o nome não tem nada a ver com o papa, ainda não havia papa Francisco) íamos logo de manhãzinha ao quarto da minha mãe, cada um com sua prendinha e respectivo postal; a minha mãe dizia que eu era uma tonta mas eu sei que ela gostava :)
    O Francisco morreu com 14 anos, num dia de Natal - imagine a choradeira que foi...
    Era lindo, igualzinho ao Bob, aquele gato de Londres que usa cachecol.

    O meu sétimo dia foi bom. O dia estava lindo e fui num pulinho até à cidade (comprar uns livritos na Bertrand, que estava com 20% em todos os livros).

    Bom Oitavo Dia!
    🎄

    PS: ontem apaguei um comentário porque saíram dois gémeos.
    And by the way, sempre quis ter gémeos, um menino e uma menina, mas não calhou...
    Quanto aos netinhos, quem sabe não chegam em 2020 😊

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  4. Maria:), então também gostava de ter gémeos. É, pensei nisso com tanta esperança como ter netos:). Na minha família ninguém teve gémeos. Portanto, teve de ser um filho de cada vez. Mas terem saído normais e serem pessoas bem formadas é graça que muito agradeço.
    Quanto ao Dia da Mãe, enquanto o festejei com ela foi a oito de Dezembro. Daquele dia em Maio, os meus filhos nem fazem caso; por qualquer razão, para eles, dia da mãe e do pai são sem significado.
    Portanto, acho que podemos ambas guardar o oito de Dezembro. Esse gato londrino é quê? De desenhos animados?
    Também me faltam os livros mas terei de aproveitar uma ida com tempo a Lisboa. Ou ir propositadamente:). A única coisa que gosto nos centros comerciais é da iluminação de Natal. Indo pela manhã, mal abra, dá para ver com calma. Estou curiosa para ver que mudanças há este ano.

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  5. Já escrevi muito mas atualmente prefiro falar do que mandar SMS... Bj

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    1. Continuo a gostar de escrever e ao telefone não sou grande coisa. Por isso, envio cartões. É uma forma de estar presente, de estar não estando.
      Também envio sms, mas depois dos cartões e só às pessoas mais chegadas de quem ainda sei os números de tlm.
      Boa noite, Gracinha

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  6. A sério? Também gostava? Eu tive um primo que era gémeo, mas o que sobreviveu, o outro morreu no parto.
    Sonhos, não é?
    Aqui só existe uma livraria digna desse nome, que é a Bertrand; não tem aí nenhuma perto de si?
    É que eles estão a fazer 20% desconto nas novidades dias 7, 8 e 9, se puder vá amanhã e aproveite :)

    O Bob existe e "salvou" o dono da droga. É uma história verídica e ternurenta.
    Eu li o livro já há alguns anos, penso que já há mais livros e ele até esteve em Portugal, eu nem dei por isso, li algures.
    O dono tocava guitarra na rua e o Bob agradecia com um abracinho, e foi o que me despertou a atenção. O Francisco também se punha em duas patinhas e abraçava o meu pulso para apanhar algum petisco que eu lhe dava. E morreu muito antes do Bob aparecer, deve ser uma coisa de gatos amarelos, nunca tive outro que fizesse isso.
    E dava turrinhas e era um amor de gato, etc. e tal, mas vou ficar por aqui 🐈
    🎄

    Se googlar "Bob the cat" aparece logo.

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    1. Adenda:

      Eu nem acredito, fui agora googlar e vi que já fizeram um filme com a história do Bob...
      Mas em que galáxia vivo eu?!!?
      🐺
      Maria

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    2. Não sei, mas deve ser próxima da minha que nem conheço o Bob de lado nenhum:).

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    3. Maria, vamos excluir gémeos em que um morre logo no parto. Esses não se contam. João Tordo tem um livro sobre gémeos univitelinos um bocadinho intrigante e contou numa entrevista que ele mesmo teve um gémeo nado morto e que talvez a história dos gémeos do romance venha daí.
      As Bertrands estão fora da minha rota:). Na minha terra não há uma única livraria, há lugares onde também se vendem livros.
      Não gosto muito de gatos amarelos, mas os gatos dos meus vizinhos preferem a minha casa à sua, de modo que tenho sempre pelo menos dois por aqui a cirandar, e há um que é amarelo e todo farfalhudo.

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    4. Eram trigémeos, um morreu, o João e a Joana sobreviveram; aliás o Fernando Tordo até tem uma canção (com versos do Ary) dedicada aos gémeos João e Joana.

      O meu gatinho não era gordo como o Garfield (e não me diga que não conhece este!!!), era muito elegante, amarelo torrado mas com o peitinho branco e uns lindos olhos verdes.

      Considerando que é uma capital de Distrito, deveria ter mais livrarias... e a Bertrand não está cá há muito tempo, veio com o Fórum. Tempos houve em que o Jumbo tinha a melhor livraria da cidade.
      E geralmente tenho que encomendar os livros, quase nunca têm o que eu quero... gostos esquisitos devo ter, sei lá ;)

      Noite descansada!
      🐝
      Maria

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  7. O Garfield conheço vagamente, os meus filhos apresentaram-mo. Não tenho culpa de não ter visto tv quando era garota, na minha terra não havia luz eléctrica. Portanto, não criei amor aos desenhos animados. Quando tinha para aí vinte e um anos havia uns desenhos animados de que gostava muito, da Heidi, lembro-me de ir vê-los ao café com uma amiga que assegurava a pés juntos que davam saúde (devia ser também por se passarem nos alpes e haver relva e flores. Como eu ainda estava meia doente, ela fazia questão que os não perdêssemos. Passavam ao domingo à tardinha. Gostei imenso da Heidi e ainda penso como ela pensava na altura, dão saúde.
    E por que não arranja outro gato? Se gosta deles...

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  8. Eu só conheci o Garfield há pouco tempo, quando era miúda passavam outros desenhos animados. A Heidi nunca vi, nessa altura possivelmente estaria a ver algum filme, não sei.
    Tive outro gato a seguir ao amarelo, era um siamês com uns olhos que pareciam duas turquesas. Deram-mo assim que deixou de mamar, era uma coisinha amorosa.
    Aí por volta dos dois anos desapareceu. Esperei, procurei, desesperei, nunca mais apareceu. Nem quero pensar que o mataram, acho que alguém o roubou, era tão lindo.
    Nunca mais quis ter nenhum gato, só se vivesse num apartamento...
    Há por aqui muitos, todos siameses, primos afastados do meu, vou brincando com eles; logo de manhã, vejo-os na horta à espera que o dono lhes traga o comer, é vê-los aos pinotes em direcção ao portão.
    E é isto.

    🐺🐈
    Maria

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