terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Dia Dezassete


A dedicação é uma palavra antiga, algo fora de moda. Hoje, as pessoas não se dedicam, amam ou odeiam, apaixonam-se e desapaixonam-se, adoram e detestam, curtem e descurtem. E a dedicação transitou para  o mundo da domesticidade, os cães são dedicados, alguns gatos também e conheci duas lebres dedicadíssimas.  Nos tempos que correm, ser dedicado não é bem visto, fica mal, é a assumpção de uma espécie de subserviência que todos sacodem.
A dedicação humana é uma constância sugestiva e branda e acompanha os sentimentos maiores, qual fibra resistente que entrelaça para que não sossobrem à primeira ameaça de temporal. Poderíamos supô-la uma forma de tenacidade, e sê-lo ia se não falássemos de sentimentos. Talvez no mundo da ciência a dedicação se chame tenacidade. Na vida quotidiana vai mais além, é um altruísmo que não desiste. Sem ela, amor, amizade, apaixonamento, depressa esburacam e rasgam.
Dedicada ao Natal, gastei-me no alinhamento e embrulhar das prendas, na busca de endereços esquecidos, contagem de cartões, e todos os pequenos pormenores de verificação que são anteriores ao envio.  E amanhã há-de haver mais do mesmo, que a função ficou incompleta. Oxalá cheguem atempadas ao destino, que é como quem diz, antes do dia 25. E aqueçam o coração dos meus amigos.


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