domingo, 17 de dezembro de 2017

Dia Dezassete

E hoje...bem, hoje estive atentamente fazendo uns risquinhos de boas festas. Que isto de riscar com o pensamento nas pessoas requer tanto silêncio como escrever. Pelo rumor, duvido que amanhã  seja o dia em que envie todos os cartões e prendinhas. Digamos que o assunto está encaminhado, mas falta. Praza a Deus que o serviço dos correios seja lesto ( ter de confiar em desconhecidos não é a melhor ideia, mas tem de ser).
Portanto, a janela de hoje é mesmo de caminho e passos. De olhar para dentro. De pensar em gente de quem gosto e me gosta. De tentar que continuem gostando e sejam felizes. Ou que, ao ler-me, se sintam melhor, um  Natal por dentro a crescer. Que é no espírito (podes chamar-lhe mente) que o Natal acontece. Podes ter os enfeites de maior requinte, os doces mais perfeitos e de reconhecida qualidade, a árvore de Natal solada de prendas, todas desejadas e óptimas, gente boa à tua volta. Faltando o espírito de Natal, garanto, nada feito. Ficas com uma felicidade de plástico que, na altura, até pode parecer-te boa. Mas o plástico é aquela coisa, não desgasta. Fica. Endurece. Cria ângulos agudos que arranham e magoam a sério. O ponto é que nos faz mais feliz o que nos desgasta e cansa por bem; de nós mesmos e dos outros. E que o Natal se prepara em comunhão.
Hoje as manas visitaram-me. Uma de cada vez.  Planeámos os contributos na consoada familiar. E, por enquanto, o Natal é essa luz de haver,  um futuro que nos exige às três e só resulta em união específica que, bem sei, nada tem de indestrutível. Mas sempre o planeamos em perenidade. Ano a ano. Ser eterno enquanto dure, como diz o poeta. Suponho que o poeta desconhecia que tudo que se vive com eternidade não morre. Suponho que ele pensava antes que vivendo, digamos, com a chama no máximo, o efémero seria a marca da nossa eternidade. E não sei se tem razão. 

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