domingo, 17 de dezembro de 2017

Dia Dezasseis

Ontem foi mesmo de janela fechada. Sem calendário. Porque sim. Sorry, sorry, sorry. Apenas estive a ver “O Leopardo”, filme jamais  visto em versão integral.  Visconti como só ele. E a formidável  interpretação de Burt Lancaster. Mestria suprema do cinema italiano. A prender-me, a prender-me, a prender-me. Mau grado o sono que me arrasava as ideias e nos intervalos me fechava os olhos. O encanto de ver cinema de desmedida classe.
Como eu gostei do Burt/Leopardo! Da sua inteligênia pensativa, algo filosófica; do jeito elegantemente tristonho de quem sabe o que é e conhece que não há mais caminho para  poder sê-lo. Do realismo conhecedor que lhe clarifica as ideias. De não ser um filme a rebentar de sexo e sangue e por isso estar mais próximo do que vivemos do que os filmes empolados que vivem da imagem que choca ou apela à força das pulsões mais primitivas. Amei aquela elegância decadente e nostálgica, tristemente sábia, a lembrar Palmira Bastos em,  “As árvores morrem de pé”.

E quanto aquelas horas valeram! Portanto, é hoje que me dedico sem falhas a escrever no que andei pintando. Urgência de completude e partilha no  Natal que é de praxe e faço gosto. Muito gosto mesmo.

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