domingo, 3 de setembro de 2017

Desastres sem Remédio

Sou um desastre a comprar produtos de beleza. Talvez por desábito, mas inclino-me mais para desorientação e falta de jeito congénitas.
Em final de férias, sobrou-me moeda estrangeira e, por via disso, adquiri-os num free shop de aeroporto. Incentivada por um extra de apuro feminino, fui a uma marca de preços módicos, que a carteira ordena-me sobre o gosto. Cheirámos daqui e dacoli. Optei por um perfume que me pareceu de suave aroma cítrico. Entretanto, juntámos as nossas últimas e conjuntas moedas e trouxe mais um artigo: um creme perfumado para o corpo que, segundo ela, é por demais hidratante e, para o cloro da piscina, não existe melhor. E lá vim com dois artefactos jeitosos a priori, pensando que a vida me desabituou de perfumes e cremes de corpo, que talvez não seja boa ideia reactivar o hábito, e etc. Já em casa, apresso-me a experimentar o body cream. E não é que me sai um açúcar?! Um açúcar?! ó Deus, se nem sabia que isto existia  no mundo da beleza! Afinal, depois de investigações, é um açúcar esfoliante (lá se foi a hidratação superior e cheirosa). Bom. Entretanto, pensei  que um mimo, mesmo pequeno, me caía bem. Que o merecia. 
Mal tive oportunidade, já em Portugal, procurei a mesma marca. Cansadíssima. Liga-me uma colega daquelas com vagar e conversa que não acaba. E eu lá. Dores de costas sem fim, a pôr mãos aqui e ali para amparar o corpo. A deitar bençãos à materialização de um banquinho, uma cadeira, o fim da ligação. Nada. Às tantas, a empregada - não quero pensar na intenção da jovem -  trouxe-me um copinho de chá. Eu queria era uma cadeira. Bebi o chá. E ainda sem coragem de terminar a ligação, que bastava um falamos amanhã que estou que nem posso. E quanto tardei a dizê-lo, sempre na mira do fim de uma conversa sem quês, das que podem acabar mal começam. Enfim livre, desejando a casa com toda a alma que me pertence, senti-me na obrigação de satisfazer o desejo com que ali entrara (foi também para conseguir ouvir, o barulho nos centros comerciais piorou), comprar o tal creme de corpo super super. Cheirei, experimentei, mas já estava um tanto impaciente. Optei por um cítrico (só havia dois e o outro era de cheiro bem penetrante), pensei até que conjugava com o perfume, cujo, descobri, deve ser meio árabe porque me deixa manchas gordurosas e peganhentas na pele. Acerca da minha opção, a empregada ainda acrescentou : é de verão, deixa um certo brilho na pele. Pensei que o brilho seria consequência da forte hidratação e me daria o ar de saúde a que sou eterna aspirante. Retorqui que me dava jeito. Comprei e pronto.

No dia seguinte, repeti o gesto onde descobrira um açúcar e espalhei creme por todo o lado. Ora bolas. É que tem mesmo partículas brilhantes. Fiquei que nem uma lantejoula. Nada de ar saudával. Nada de cheiro fresco que perdura. Até julgo que me suja com os brilhos. Empalmando as duas compras, quase comprava um frasquinho de 100 mililitros de uma qualquer coisa de jeito. Sou uma naba, é o que é.

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