domingo, 10 de setembro de 2017

Cremes de Corpo - Epílogo

Foi colocado na minha frente, colorido e apelativo. Era um saquinho pequeno, talvez com riscas. Uma prenda. Para mim. Nessa manhã tinha vestido uma blusinha do avesso, mas fui tão rápida na correcção que nem me lembrei de contabilizar o evento como um prévio de presente. Mas ele veio, secreto, escondido em saqueta de bom papel que quadrava lindamente e até talvez não lhe pertencesse de raiz. Na raridade do momento, alvorocei. O facto de alguém andar a procurar – em casa, loja, ou seja onde for – um artigo que me tenha por destino, deixa-me sem jeito e sempre agradada e grata. Curiosa, espreitei o interior e vi uma caixinha branca. Retirei-a. Li, Lilies of the valley, body lotion (o rótulo prometia, as florinhas são lindas). Desrolhei. Cheirei o creme que me espreitava em preguiça leitosa. Tinha odor agradável, parecia suave. Agradeci a avivar a recordação das últimas façanhas com cremes de corpo. Contente da utilidade.

Mais tarde, experimentei. Não é a loção que desejaria. Os lilies incorrem em delacção. Em vez da nota floral, assumem com garra o plástico da embalagem. Também acontece que não hidratam com o vigor do simples e diáfano nívea, “que não te falte o nívea, que não te falte, que não te falte”. Contudo, a oferta surpreendeu-me. Para bem. Portanto, guarde-se o efeito surpresa e gaste-se a loção. Além do mais, a odisseia dos cremes de corpo permitiu-me recuperar o alcance diário do meu amigo mais velho da secção, o always  nívea. 

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